
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Está avançando na prefeitura de Porto Alegre a proposta para viabilizar a obra do acesso norte, que fará a ligação da freeway com o Complexo Logístico do Porto Seco. Com as articulações encabeçadas pela vice-prefeita Betina Worm, o empreendimento já tem traçado definido e agora depende de recursos para sair do papel.
A rota estabelecida pela prefeitura, após discussão entre as secretarias e entidades empresariais, prevê a ampliação da Avenida Bernardino Silveira Amorim, no trecho entre a Assis Brasil e a Francisco Silveira Bittencourt. Intervenções também serão feitas em vias adjacentes, e uma elevada sobre a Avenida Caldeia também está prevista. O traçado, entretanto, ainda pode sofrer alterações quando o projeto executivo for realizado.
Além disso, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) está verificando se haverá necessidade de retirar famílias de áreas ocupadas irregularmente, no Beco Recanto do Chimarrão, já que a Avenida Nossa Senhora Aparecida deve ser ampliada e asfaltada. De acordo com a vice Betina, um plano de realocação será estruturado antes de a obra começar a ser executada, para evitar que se torne um "elefante branco", como a nova ponte do Guaíba.
— O traçado que propomos é o que tem menos impacto nesse sentido — explica a vice.
O plano prevê uma contratação integrada, em que a mesma empresa realiza o projeto e executa a obra. No cronograma apresentado por Betina ao secretário da Reconstrução do RS, Pedro Capeluppi, o prazo total da obra, desde o termo de referência até a entrega, é de cinco anos. A estimativa é viabilizar o recurso necessário e entregar o acesso norte ao Porto Seco até 2033.
Funrigs é opção
De acordo com a estimativa da prefeitura, a obra deve custar cerca de R$ 300 milhões. Um dos itens que encarece a previsão é o tipo de asfalto que terá de ser aplicado, para suportar caminhões pesados que trafegam pelo local. Para garantir o valor necessário, Betina teve reunião com o secretário Pedro Capeluppi nesta quarta-feira (22), a quem apresentou a proposta e sugeriu utilizar recursos do Fundo da Reconstrução (Funrigs).
A justificativa para utilizar a conta é de que a obra, além de facilitar o escoamento logístico e reduzir o tráfego pesado na região, também pode servir como novo acesso à cidade em caso de enchente.
Capeluppi gostou do que viu e se comprometeu a levar o projeto ao governador Eduardo Leite, por se tratar de uma obra com impacto regional, beneficiando também Alvorada, Viamão, Cachoeirinha e Gravataí. O secretário reforçou, no entanto, que os recursos do Funrigs precisam ser executados até 2027 e sugeriu dividir o empreendimento em etapas, para permitir que parte dele seja incluída nesse orçamento.
Betina lembrou que Porto Alegre já contratou cerca de R$ 6,5 bilhões em financiamentos e está próxima do limite de endividamento, o que dificulta novos empréstimos. Por isso, a prefeitura busca o apoio do Estado, que tem maior capacidade de crédito.





