
Com a ajuda da oposição, que se pode dizer “está mais perdida do que cusco em tiroteio”, o presidente Lula conseguiu recuperar nos últimos cinco meses boa parte da popularidade perdida nos anteriores. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (8) mostra que os índices de aprovação e reprovação estão tecnicamente empatados — 49% reprovam o governo e 48% o aprovam.
Isso lá é coisa que se comemore? O governo comemora, sim, e tem bons motivos para isso, não apenas porque os números poderiam ser piores, mas porque o aumento da aprovação é consistente. A diferença entre os que reprovam e os que aprovam o governo era de 17 pontos percentuais em maio, foi caindo e chegou a cinco no início de setembro.
A Quaest mostra mais uma vez o Brasil partido ao meio, como o visconde de Ítalo Calvino, e é por isso que Lula não deve se embriagar com os resultados da pesquisa. A oposição está desnorteada, depois que o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, decidiu concorrer à reeleição em São Paulo. Com Jair Bolsonaro condenado e duplamente inelegível, a oposição está dividida e isso facilita a vida de Lula, que ainda tem um cabo eleitoral da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Boa parte da recuperação de Lula deve ser creditada aos trapalhões que, no afã de livrar Bolsonaro da cadeia, apostaram em retaliações do presidente Donald Trump que resultaram em prejuízos monumentais para os exportadores brasileiros. O Bolsonaro que ajuda Lula é Eduardo, em dupla com Paulo Figueiredo — neto do último presidente da ditadura, o general João Figueiredo.
A reação de Lula ao tarifaço, invocando a soberania brasileira para dizer que não aceitaria intromissão estrangeira nas instituições do Brasil, funcionou para aquela parcela da população que não está fanatizada. Torcer contra o Brasil é coisa de fanáticos — e a maioria silenciosa entendeu que o governo brasileiro está agindo de forma correta, sem provocar Trump e sem bajular o algoz dos exportadores.
Ainda que lidere também as pesquisas de intenção de voto, Lula não pode se embriagar com as pesquisas de hoje porque ainda falta um ano para a eleição. É tempo suficiente para a oposição se reaglutinar e apresentar um candidato viável. Hoje, são quatro governadores no páreo, sendo dois do mesmo partido, o PSD, o que equivale a dizer que três estão efetivamente na disputa depois que Tarcísio anunciou que irá à reeleição.
O trio do “R” — Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União Brasil) — ainda aparece nas pesquisas com índices muito baixos, o que não significa muito, dado que o eleitor ainda não está conectado no assunto. Embora o presidente do PSD, Gilberto Kassab, diga publicamente que o partido tem duas opções — Ratinho e o governador Eduardo Leite —, nos bastidores é conhecida sua preferência por Ratinho. Antes era por Tarcísio, de quem Kassab é secretário.
Por fim, como a eleição é em dois turnos, está aberta a temporada de conversas para uma aliança branca no segundo turno, um pacto de não agressão.






