
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Dois meses depois que a Justiça suspendeu o edital de repasse da reformada Usina do Gasômetro para a iniciativa privada, o prédio histórico segue fechado ao público e sem projetos culturais. Na tentativa de solucionar o impasse, o prefeito Sebastião Melo teve uma reunião em Brasília na Superintendência do Patrimônio da União (SPU), em que apresentou os modelos de gestão que seriam viáveis para a prefeitura e ouviu ponderações sobre a proposta.
Melo se reuniu com a secretária do Patrimônio da União, Carolina Stuchi, um representante do Ministério da Cultura e o superintendente da SPU no Rio Grande do Sul, Emerson Rodrigues, que está engajado com o prefeito por uma solução para o Gasômetro.
Uma nova reunião ficou agendada para a próxima terça-feira (28), por videoconferência, em que o prefeito deve fazer uma apresentação detalhada sobre as propostas de uso do equipamento e entende que será "terminativa" sobre o tema.
— Não dá para o ministério querer ditar as regras do ponto de vista financeiro e não dar um centavo. Estamos botando R$ 4 milhões e pouco por ano para administrar a Usina. No modelo que apresentamos, o privado bota quase isso. Eles colocam uma série de gastos para a prefeitura e não querem botar dinheiro, a equação não fecha — explica Melo.
Segundo o prefeito, um modelo de administração em que os custos sejam divididos entre o ministério e a prefeitura é aceitável. Mas o entendimento de Melo é de que, se a gestão é de responsabilidade do município, então cabe a ele definir como ela será realizada.
— O modelo de gestão, quem deve dar o tom é quem vai ser o gerente. Único modelo que não nos serve é a Usina continuar fechada.
Após oito anos fechada, a revitalização da Usina do Gasômetro foi entregue em 26 de agosto, após um investimento de R$ 25,9 milhões da prefeitura. Dois dias depois, seriam conhecidas as propostas das empresas interessadas em um edital lançado em julho, para uma parceria público-privada de gestão do espaço.
No dia 27, o juiz federal Bruno Risch Fagundes de Oliveira, da 4ª Vara Federal de Porto Alegre, determinou a suspensão da licitação em ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU). O argumento é de que a prefeitura precisava da anuência da União para conceder a Usina do Gasômetro à iniciativa privada, já que o prédio — cedido ao município em 1982 — pertence formalmente à União. A prefeitura defendia que tinha a posse do imóvel, o que a legitimava a realizar a licitação. O juiz determinou que uma solução consensual fosse encontrada entre as partes.





