
Depois de idas e vindas por motivos que vão da enchente de 2024 às observações do Tribunal de Contas, passando por mudanças sugeridas nas audiências públicas, o governo estadual publica na primeira semana de novembro o edital de concessão das rodovias do Bloco 2, com impacto nas regiões do Vale do Taquari, Serra e Planalto Médio. O leilão está previsto para março de 2026. Para o Bloco 1 (Região Metropolitana, Vale do Paranhana e Serra), a consulta pública será aberta nesta quarta-feira (29) e a previsão é publicar o edital em março de 2026 e realizar o leilão em julho.
Promessa de campanha do governador Eduardo Leite, a extinção da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) ocorrerá até o final de 2026, com a assinatura dos contratos com os vencedores da licitação — se houver interessados, naturalmente.
A concessão das rodovias estaduais nasceu cercada de polêmica por todos os lados, com oposição à direita e à esquerda. Leite resolveu comprar a briga, convencido de que o pior dos mundos é deixar as estradas estaduais como estão, com pistas simples, muitas delas sem acostamento, dificultando o escoamento da produção e o trânsito de pessoas em carros e ônibus.
O edital vai estabelecer um valor máximo para a tarifa de R$ 0,19 por quilômetro no Bloco 2 e de R$ 0,21 no Bloco 1. Vencerá a licitação quem oferecer o maior desconto. Por isso, a expectativa do governo é de que mais empresas se interessem por esses blocos de rodovias, para que a concorrência faça baixar o preço. Os preços serão diferentes em cada pórtico de cobrança pelo sistema free flow (sem cancelas).
A despeito de 2026 ser ano eleitoral, o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, acredita que o leilão será bem-sucedido. Tanto Leite quanto o vice-governador Gabriel Souza, que deve ser candidato ao Piratini, estão preparados para defender essa opção, mostrando que o Estado não tem dinheiro para fazer os investimentos necessários e a manutenção adequadas das rodovias.
No caso do Bloco 2 a discussão com as comunidades está encerrada. O governo acatou sugestões de mudanças no projeto, feitas por entidades empresariais e usuários e pelo Tribunal de Contas, mas manteve a essência. No Bloco 1 a discussão está começando agora, mas não depende de aprovação legislativa. Os deputados contrários vão seguir criticando e os governistas cobrarão alternativas, principalmente dos que se dizem liberais mas não aceitam a concessão.
Para a execução de obras emergenciais e de resiliência, pelos vencedores da licitação, o governo vai destinar R$ 1,5 bilhão do Funrigs para cada um dos blocos de rodovias.
Aliás
É difícil entender por que o governo estadual não incluiu no Bloco 2 das concessões o trecho da RS-153 entre Passo Fundo e a BR-386, em Tio Hugo, o que daria à cidade uma ligação 100% duplicada com Porto Alegre, já que pela R$-324 só uma parte terá pista dupla.
A parte de cada um
Do total de R$ 12 bilhões que serão investidos nas rodovias estaduais ao longo de 30 anos, o setor privado entrará com R$ 9 bilhões e o público com R$ 3 bilhões (R$ 1,5 bilhão do Funrigs para cada um dos dois blocos).




