
Sentados em círculo no Salão dos Espelhos, na ala residencial do Palácio Piratini, líderes de bancada e presidentes de partidos que integram a base aliada do governo Leite trataram abertamente da sucessão estadual, no início da noite desta quarta-feira (15). Foi a primeira vez que representantes de todos os partidos se reuniram para falar de eleição, tema que está na agenda de cada um.
Leite tomou a iniciativa de convidar os aliados ao constatar que é real o risco de desagregação da bancada, com PP e PDT negociando abertamente com a oposição. Na prática, assumiu o comando das negociações para a sua sucessão.
Em tese, a base do governo tem pelo menos cinco candidatos a governador: Gabriel Souza (MDB), Covatti Filho (PP), Juliana Brizola (PDT), Paula Mascarenhas e Marco Maranata (PSDB).
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, representa a ala que deseja uma aliança com Gabriel. Covatti se lançou candidato, mas poderá vir a ser vice de Luciano Zucco. Juliana Brizola vem conversando com diferentes partidos _ incluindo o PT, para tentar montar uma aliança competitiva, mas ao conversar com um e outro acaba se queimando com os dois potenciais aliados.
De acordo com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, Leite começou dizendo que os partidos representados na reunião estão juntos há pelo menos 11 anos e que deveriam conversar primeiro antes de procurar aliança com quem ataca esse projeto. E que considera legítimo que cada um tenha a pretensão de apresentar um candidato. Disse que o seu partido, o PSD, teria legitimidade para lançar um nome, mas prefere abrir mão em nome da continuidade de um projeto que, todos na sala concordaram, "está dando certo".
O governador disse que segue acompanhando as movimentações no cenário nacional, que nada está definido e que gostaria, sim, de ser candidato a presidente, mas não descarta concorrer ao Senado, se sua presença na chapa for importante para a reeleição do projeto, que pode ser encabeçado por qualquer um dos partidos.
Leite sugeriu que o nome seja escolhido mais adiante, sem se basear apenas em pesquisas quantitativas, mas no potencial de cada um para crescer e pagar governar. Disse também que, se for mais importante para o grupo continuar no Piratini, não tem nenhum problema em não ser candidato.
Covatti Filho disse que não está tão próximo do PL como a coluna deu a entender e que segue defendendo a candidatura própria. O líder da bancada do PP, deputado Marcus Vinicius, sugeriu que o assunto seja levado ao conselho superior do PP, para evitar que decisões isoladas comprometam a unidade.




