
Houve um tempo em que os Correios eram uma das instituições campeãs de credibilidade no Brasil. É verdade que nesse tempo a Empresa de Correios e Telégrafos detinha o monopólio da entrega de cartas, contas e encomendas. Em 1982, com a criação do Sedex, os Correios entraram numa espécie de “era de ouro”. Foi a grande revolução logística antes do e-commerce.
O primeiro grande baque na credibilidade dos Correios veio em 2005, no primeiro governo Lula, quando veio à tona o vídeo de um diretor dos Correios indicado pelos então deputado Roberto Jefferson, mandachuva do PTB, recebendo propina. Contrariado nos seus interesses nada republicanos, Jefferson denunciou a existência de um esquema que chamou de “mensalão”, o pagamento de mesada aos aliados para votar a favor do governo, e indicou o chefe da Casa Civil, José Dirceu, como um dos mentores.
Da denúncia resultou a CPI, que acabaria levando à cassação do mandato do próprio Jefferson, de Dirceu e de outros aliados que coordenavam a distribuição da propina em suas bancadas. Apesar do desgaste na imagem, os Correios conseguiram se recuperar nos anos seguintes, graças ao e-commerce e a uma rede capilarizada, formada por agências próprias e franquias.
Nos anos críticos da pandemia (2020 e 2021), a estatal obteve lucros expressivos. Fechou 2021 com lucro líquido de R$ 3,7 bilhões, mas começou a degringolar em 2022, ano da eleição, quando fechou com prejuízo de R$ 880 milhões.
A estatal não se preparou para sobreviver no mundo altamente competitivo das entregas rápidas. Com a mudança de hábito do consumidor e a rápida digitalização, as cartas e os boletos foram aos poucos se transformando em espécies em extinção. A estatal ainda resistiu por alguns anos, entregando produtos do comércio eletrônico, mas sucumbiu à concorrência, à má gestão e ao loteamento político.
Em 2023, o prejuízo até diminuiu um pouco (R$ 633,5 milhões), mas já no seguinte saltou para R$ 2,59 bilhões. No primeiro semestre deste ano, o prejuízo acumulado saltou para R$ 3,7 bilhões — e as previsões para o final do ano são as piores possíveis.
Sem se modernizar, os Correios perderam terreno para os sistemas próprios de entrega, como o do Mercado Livre, ou as transportadoras que entregam mais rápido e com a segurança do rastreamento. O Sedex, antes sinônimo de eficiência e rapidez, está sucateado e pouco competitivo. Os funcionários estão matando a galinha dos ovos de ouro com ações trabalhistas milionárias que sangram os cofres da empresa.
E o que faz o governo? Acena com um empréstimo bilionário, a ser garantido pela União, sem exigir eficiência gerencial.





