
Com o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul, a região de Passo Fundo clama por obras capazes de garantir o escoamento da produção. Na Feitech, a feira que começou na quinta-feira (23) e termina neste sábado, empresários de diferentes setores cobraram a duplicação da BR-285, de responsabilidade do governo federal, e a realização do leilão do lote 2, pelo Estado, para melhorar a qualidade dos acessos à cidade e a comunicação com municípios vizinhos.
Quem conhece a situação das estradas e a dificuldade de caixa dos governos sabe que não há outro caminho fora da concessão, apesar da rejeição da população ao pagamento de pedágio.
No caso da BR-285, o repórter Jocimar Farina informa que não está nos planos do governo concedê-la ao setor privado — e uma concessão desse tipo depende em primeiro lugar de decisão política. Por motivos ideológicos, o governo Lula resiste aos pedágios e condena importantes regiões produtivas a conviverem com estradas esburacadas ou cuja capacidade está esgotada há mais de uma década.
As obras de duplicação da BR-386, que estão sendo feitas pela CCR ViaSul, deveriam inspirar os governos estadual e federal a acelerar a transferência de rodovias para a iniciativa privada. A duplicação do trecho entre Fontoura Xavier e Tio Hugo está andando em ritmo acelerado, com partes que estão prontas e outras já com a primeira camada de asfalto.
Além da duplicação, é preciso registrar que a qualidade do asfalto e da sinalização melhorou a olhos vistos com a concessão. Comparando-se ao período em que a rodovia esteve sob responsabilidade do Dnit, quando até a pintura das faixas foi negligenciada, dá prazer em pagar o pedágio.
O péssimo estado da BR-158 (entre Santa Maria e Cruz Alta) e o esgotamento da BR-290 (de Eldorado do Sul a Uruguaiana) também recomendam que se pense numa concessão para garantir segurança e investimentos.
As vozes contrárias aos pedágios esquecem que São Paulo, considerado exemplo de logística, é um Estado com todas as principais rodovias concedidas ao setor privado, além de contar com trens para transportar a produção.
Os que vociferam contra a concessão do Lote 2, que abrange rodovias da Serra e do Norte e que inclui a duplicação da RS-135, entre a BR-386 e Passo Fundo, deveriam comparar o que era a RS-122 antes da concessão. Relembrando, além de mal sinalizado entre São Vendelino e Caxias do Sul era o terror dos motoristas por causa dos buracos no asfalto, que destruíam pneus e quebravam rodas.
Não há pedágio mais caro do que os acidentes fatais causados por estradas mal-conservadas, os congestionamentos intermináveis e a perda de tempo. É preciso vencer as resistências com argumentos e com editais que levem em conta a razoabilidade das tarifas, para não repetir o caso da BR-116-Sul, que tem um dos pedágios mais caros do Brasil, sem obras de contrapartida.
Aliás
A duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas está sendo feita com recursos públicos, mas por cortes no orçamento as obras já duram mais de uma década e só devem ser concluídas em 2027.

