
Se você perguntar ao presidente do PP, Covatti Filho, sobre a eleição para o governo do Estado, ele dirá que, hoje, o partido terá candidato próprio e que tem dois nomes na disputa: ele mesmo e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo. E que está costurando com Polo um acordo "que fique bem para todos". É uma forma de evitar uma crise precoce diante da resistência de um grupo à aliança com Gabriel Souza (MDB) e de outro à coligação do Luciano Zucco (PL).
Nos bastidores, a conversa é outra: o PP está rachado entre esses dois grupos e não há solução mágica que possa uni-los.
Covatti reconhece que o único consenso no partido é a candidatura própria, mas quer um acordo amplo para a formação de uma chapa de direita. Por isso vem conversando com Zucco sobre a possibilidade de uma aliança que na largada teria os dois como pré-candidatos a governador e, ali por março ou abril, se faria uma avaliação de quem tem mais chances de vencer (o que inclui rejeição menor) e se definiria o candidato. O outro concorreria ao Senado.
Depois da conversa do governador Eduardo Leite com os dirigentes de partido e líderes de bancada, na quarta-feira (15), Covatti Filho saiu convencido de que a bola está no centro do campo:
— Eduardo não impôs o nome de Gabriel. Disse apenas que precisamos estar juntos para defender o projeto do qual somos parte. Com isso, abriu a possibilidade do Gabriel não ser o candidato e de nós indicarmos o nome. Se ele for candidato ao Senado, Gabriel só poderá concorrer ao governo, mas Leite nos disse que abre mão de candidatura se isso for importante para reelegermos o projeto.
Quem conhece as entranhas do PP reconhece que, se fossem disputar no voto, hoje, Covattinho derrotaria Polo, mas esfacelaria o partido.
A chapa de direita sonhada por Covattinho reuniria no mesmo palanque PP, MDB, PSD, PL, Republicanos, Novo, Podemos e outras siglas menores que estão dispostas a se unir em torno de Tarcísio Freitas, se o governador for candidato. Tarcísio tem dito que concorrerá à reeleição em São Paulo, mas os futuros aliados acreditam que ele blefa e só não assumiu a candidatura a presidente para não esvaziar o movimento pela anistia de Jair Bolsonaro.
Na bancada estadual, Covatti conta com a mãe, Silvana, e com os deputados Guilherme Pasin, Issur Koch e Joel Wilhelm. Ao lado de Ernani, trabalhando para que ele seja vice de Gabriel, estão os deputados Frederico Antunes e Marcus Vinicius. O deputado Adolfo Brito ainda avalia o cenário para se posicionar.
Covattinho diz que o partido terá de se definir até o final de dezembro, porque depois vêm as festas e as férias. Se a opção for se aliar à oposição, Covatti Filho quer que todos os indicados do PP entreguem os cargos antes da virada do ano, começando por seu pai, Vilson Covatti, e pelo secretário Ernani Polo, e descendo para o segundo e terceiro escalões.






