
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Disposta a construir uma coligação que vai desde a centro-direita até a esquerda, a pré-candidata ao governo do RS Juliana Brizola (PDT) teve uma reunião com a direção estadual do Podemos nesta quarta-feira (10). Proposto pela própria Juliana, o encontro entre ela e o presidente Everton Braz foi uma primeira aproximação, com a intenção de "deixar a porta aberta".
Bem posicionada nas pesquisas prévias, realizadas a mais de um ano do pleito, Juliana tenta convencer o PT a apoiá-la nas eleições de 2026. Alas petistas apoiam esta ideia, ancorados nos resultados dos levantamentos, mas outras rejeitam, defendendo que o partido não pode abrir mão da cabeça de chapa, que tem hoje Edegar Pretto como pré-candidato.
A pedetista vem participando de reuniões com líderes de partidos da esquerda, que almejam a construção de uma frente ampla do campo. O movimento é liderado por Tarso Genro (PT), acompanhado de políticos como Manuela D'Ávila (ainda sem partido), Beto Albuquerque (PSB) e Paulo Pimenta (PT).
Mas Juliana tem a intenção de construir uma frente "mais ampla ainda", que inclui partidos do centro e até mesmo da centro direita, como é o caso do Podemos.
— Entendo que essa frente da esquerda, que ainda está em conversas preliminares, tem que ser ampliada. Quero construir no RS uma frente que coloque de lado algumas diferenças em prol da defesa da democracia, assim como foi feito em outros momentos, como quando o PT apoiou Eduardo Leite contra Onyx Lorenzoni, ou Leite que em Pelotas apoiou o PT. Para barrar a extrema direita de chegar no governo do Estado, até o final vou tentar que o campo democrático esteja todo junto — almeja Juliana.
Panos quentes
Internamente no PDT, o sonho de Juliana esbarra no realismo de Romildo Bolzan Jr., presidente estadual da legenda. A pedetista diz que Romildo "sempre foi parceiro" das suas intenções e sabe da importância desta candidatura para o PDT, mas que ele não acredita que o PT vá abrir mão da candidatura própria.
— A cada passo que eu dou, mostro que talvez seja diferente — sugere Juliana.
Além disso, a neta de Leonel Brizola afasta também qualquer negociação feita pela bancada do PDT na Assembleia Legislativa com o governador Eduardo Leite, para o partido apoiar o candidato do governo, o vice Gabriel Souza (MDB), no ano que vem.
— Falam que a bancada está fechada com o governador, mas eu também converso com ele. Não sou contra Eduardo Leite, gostaria de ampliar também com ele. Sei que é difícil, mas é o que eu acho que seria importante para o momento. Tenho relação ótima com Gabriel também, com quem combinamos de manter o diálogo. E estamos fazendo isso, o que já demonstra uma disposição — conclui.




