
A presença do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, representando o governo federal ao lado do colega Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, reduziu em parte a tensão entre os produtores rurais.
Na véspera, o clima era de indignação por conta de um vídeo divulgado pelo ministro Waldez Góes, da Integração, anunciando a presença de Fávaro em uma feira semelhante, no Amapá. Alertado para o prejuízo que a ausência do ministro causaria, o presidente Lula chamou sua equipe para discutir um pacote de ajuda aos agricultores e determinou que Fávaro e Teixeira viessem à Expointer.
Do palanque das autoridades, os ministros e demais convidados viram uma cena marcante: coroas de flores e balões pretos representando cada um dos agricultores que se suicidaram nos últimos meses. Os organizadores da manifestação atribuem as mortes à depressão provocada pelo endividamento e pela falta de perspectiva de pagar os financiamentos depois de sucessivos problemas de estiagem e de excesso de chuva.
Fávaro anunciou oficialmente as medidas que a coluna havia adiantado — linhas de crédito subsidiado, com juros de 6% para os pequenos, 8% para os médios e 10% para os grandes produtores, com um ano de carência e pagamento em nove anos.
O valor é de R$ 12 bilhões, o que significa R$ 2 bilhões a mais do que o valor previsto na véspera por deputados que acompanharam as discussões sobre o conteúdo da medida provisória assinada pelo presidente Lula.
Antes de o ministro falar, Lula postou no Instagram, um vídeo com o anúncio da renegociação das dívidas:
— Não é perdão, é renegociação responsável — esclareceu.
Poderão se candidatar à renegociação em condições facilitadas os produtores que tiverem perdido no mínimo duas safras nos últimos cinco anos, em municípios onde foi decretada calamidade.
Lula calcula que a renegociação atingirá 100 mil produtores que estão inadimplentes ou com dívidas atrasadas. Entre os pequenos e médios, 96% se enquadram nas condições previstas pelo governo.
Como na saúde, na agricultura tudo o que se fizer será considerado pouco. As medidas do governo foram consideradas insuficientes, até porque políticos ligados ao agronegócio venderam a ilusão de uma securitização mais ampla, com pagamento em até 20 anos.





