
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Cerca de 20 ativistas do movimento LGBT+ foram à prefeitura de Porto Alegre nesta terça-feira (9) levar uma carta à primeira-dama, Valéria Leopoldino, pedindo a sanção do projeto que cria cotas de 1% para pessoas transexuais em concursos e vagas de estágio no serviço público da Capital. A proposta da vereadora Natasha Ferreira (PT) foi aprovada na Câmara com apoio de parte da base do prefeito Sebastião Melo, que é quem deve sancionar ou não a medida.
A iniciativa de marcar a agenda com Valéria partiu do próprio movimento, em função da boa relação que a primeira-dama mantém com a comunidade LGBT+. Valéria participa anualmente da Parada Livre e prestigia diversas programações envolvendo o público.
Assinado por mais de 270 entidades, lideranças e cidadãos, o documento destaca o contexto de vulnerabilidade que afeta a população trans no Brasil, e reforça que a criação das cotas pode "abrir caminho para uma vida digna" e garantir acesso a direitos básicos "historicamente negados".
"A aprovação em um concurso público significa, para uma pessoa trans, mais do que estabilidade e um salário digno. É a chance de acessar direitos básicos que, para a maioria de nós, são praticamente inatingíveis: financiar uma casa própria, comprar o primeiro carro, ter um plano de saúde e planejar um futuro que ultrapasse os 35 anos de expectativa de vida que nos são impostos no Brasil", diz trecho da carta.
Melo tem até o dia 17 de setembro para decidir o que fará com o projeto de lei. O prefeito já avisou que pretende sancionar ou silenciar sobre a matéria, descartando, portanto, vetá-la. Em caso de silêncio, o texto volta para a Câmara e a presidente da Casa, Comandante Nádia (PL), seria obrigada a promulgá-lo. Nádia é contra o projeto.
No último sábado (6), a conferência municipal de Direitos Humanos aprovou moção de apoio à sanção do projeto.





