
Choroso por estar correndo o risco de perder o mandato e não ter como se sustentar com a família nos Estados Unidos, o ainda deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem agora um motivo real para pedir green card ou algum tipo de visto que o permita viver e trabalhar em território norte-americano. Ele e o blogueiro Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por coação no processo sobre a tentativa de golpe, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão.
Eduardo fugiu para os Estados Unidos no início do ano e, de lá, pediu licença do mandato. Quando o prazo da licença venceu, simplesmente avisou que não retornaria, porque temia ser preso. Nesse tempo todo, conspirou contra o Brasil e conseguiu que o presidente Donald Trump aplicasse um tarifaço de 50% nas exportações brasileiras, além de cassar vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal e de autoridades do Executivo e enquadrar o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa na draconiana Lei Magnitsky.
— Onde está o crime? — perguntarão os simpatizantes da família Bolsonaro.
A resposta da PGR é clara: na tentativa de coagir ministros da Suprema Corte a não condenarem seu pai na ação penal sobre a fracassada tentativa de golpe de Estado em 2022. Eduardo e Figueiredo produziram prova contra eles mesmos, em áudio, vídeo e entrevistas. Os dois se vangloriam de ter influenciado o governo Trump nas sanções contra o Brasil e agora tentam manobrar o Congresso pela aprovação da anistia. Agindo em dupla, os dois trapalhões acreditaram que seriam capazes de intimidar os ministros do STF ou de forçar o governo Lula a mover mundos e fundos para salvar Bolsonaro da cadeia.
"A dupla de denunciados não hesitou em arrogar a si própria a inspiração determinante das sanções econômicas que vieram a ser, como é notório, afinal infligidas pelo governo norte-americano", escreveu o procurador Paulo Gonet.
Eduardo chegou a dizer que se o Brasil virasse o caos, por causa do tarifaço, pelo menos ele se sentiria vingado. Depois, em um telefonema para o pai, foi grosseiro com os anfitriões ao reclamar de ter de viver nos Estados Unidos, como se fosse um castigo.
O PL está tentando salvar Eduardo da cassação por excesso de faltas, com uma nomeação para a liderança da minoria, manobra entendida por especialistas como ilegal e que ainda não foi referendada pela Mesa da Câmara. Se perder o mandato, Eduardo terá de trabalhar para sustentar. Os R$ 2 milhões que o pai repassou para sua conta é um bom dinheiro, mas não dá para viver por muito tempo com a esposa e duas crianças, pagando as contas em dólar. Agora, ainda terá de gastar mais com advogados.
Bolsonaro pai não foi denunciado. A PGR entendeu que o filho agiu por conta própria e poupou o ex-presidente de responder a mais um processo. Alguma dúvida de que o Supremo aceitará a denúncia? O caminho natural é que Eduardo e Figueiredo colham o que plantaram e se tornem réus em uma ação penal.





