
Pelos líderes que ocuparam o palco na posse do novo presidente estadual do PT, deputado Valdeci Oliveira, no sábado (30), em Porto Alegre, foi um ensaio geral para a pretendida aliança de centro-esquerda na eleição de 2026.
Além de reunir os principais líderes do PT, como os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro, deputados estaduais e federais, a posse colocou na mesma foto Juliana Brizola (PDT) e Manuela D’Ávila (sem partido) e os pré-candidatos do PT a governador, Edegar Pretto (PT), e a senador, Paulo Pimenta (PT).
Juliana está em pré-campanha para o Piratini e Manuela deve ser candidata ao Senado — o partido ela escolherá até o final do ano. O ex-deputado Beto Albuquerque (PSB) e o ex-prefeito José Fortunati prestigiaram o ato.
Valdeci, que substitui a professora Juçara Dutra, tomou posse anunciando o compromisso com a unidade partidária, a ampliação do diálogo com partidos e forças políticas do chamado "centro democrático", a retomada do governo estadual e a defesa da soberania nacional e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— O horizonte hoje, e aquele que vivenciaremos no próximo período, exigirá de todos nós o máximo comprometimento e engajamento. Exigirá também um fortalecimento ainda maior da nossa capacidade de dialogarmos com o campo progressista e democrático. Desde já, convoco todos aqui para cerrar fileiras nesse processo de unidade, de diálogo e de mobilização — discursou Valdeci.
Pretto e Pimenta reforçaram o coro da defesa da "unidade do campo popular" e criticaram fortemente a gestão Eduardo Leite.
— Não estão conseguindo sequer gastar os mais de R$ 100 bilhões que enviamos pelo governo federal para a reconstrução do Estado e privatizaram a CEEE e a Corsan a preço de banana. No que depender desse companheiro, nós vamos formar uma grande frente para reeleger Lula e eleger nosso projeto aqui no Estado — disse Pretto.
Pimenta foi na mesma toada:
— O nome do Valdeci reúne inúmeras qualidades para estar à frente do nosso partido nesse momento desafiador. Com a liderança do Valdeci, com muita unidade e com nossos aliados do campo democrático e popular, queremos cumprir a tarefa histórica de eleger uma grande bancada estadual e federal, manter e ampliar nosso espaço no Senado, garantir uma grande vitória para o Lula no RS e levar o povo gaúcho de volta ao Palácio Piratini.
Juliana também usou o microfone para defender a unidade das forças democráticas:
— O flerte com o golpismo e a falta de compromisso com a democracia e com a história do nosso país faz com que o nosso campo tenha uma responsabilidade muito grande. É o momento de todos nós sentarmos à mesa, nos despirmos das vaidades para que a gente possa apresentar para o Rio Grande do Sul um retorno para aquilo que o Estado é. Venho aqui e digo aqui a todos vocês, olho no olho, que o PDT está com essa disposição e quer construir um grande palanque para o presidente Lula.
Manuela disse que os compromissos do PT são os mesmos dela, com a democracia, a soberania do país, e o protagonismos dos trabalhadores. Sustentou que a composição dos partidos do campo democrático precisa ser ampla o suficiente para barrar a extrema-direita, reeleger o presidente Lula e "mostrar que é possível construir outro caminho".
Na abertura dos trabalhos, o PT fez uma homenagem ao escritor Luis Fernando Verissimo, que morreu no sábado. Foi lida uma moção de '"irrestrita solidariedade” ao povo palestino, e em defesa do cessar-fogo, da abertura de corredores humanitários e do direito à criação de um estado próprio.
A nova gestão estadual do PT-RS terá mandato de quatro anos. A presidência será compartilhada entre Valdeci (nos primeiros dois anos) e a deputada estadual Sofia Cavedon, que ficou em segundo lugar na disputa interna.




