
Não foi uma simples visita de cortesia a que o deputado federal Paulo Pimenta (PT) fez à ex-deputada Juliana Brizola (PDT) na tarde desta sexta-feira. Cada vez mais empenhado em trabalhar para que a esquerda concorra unida na eleição de 2026, o PT vem fazendo movimentos em sequência para mostrar ao PDT que os dois partidos podem reproduzir no Rio Grande do Sul a aliança que deverá apoiar a reeleição do presidente Lula em 2026.
Como Juliana aparece à frente do pré-candidato do PT a governador, Edegar Pretto, o PDT vem dizendo que a aliança só tem chance prosperar se ela for a candidata ao Piratini.
Cautelosos, os líderes petistas adotaram o discurso de que primeiro é preciso discutir a possibilidade de aliança sem impor nomes. A escolha do candidato ocorreria em um segundo momento, levando em conta o que as pesquisas disserem sobre viabilidade eleitoral.
Pimenta foi ao encontro de Juliana com esse espírito: tentar convencê-la de que a união é necessária para evitar a vitória da extrema direita. Os dois tiveram uma conversa definida por ele como cordial e produtiva, mas não trataram de divisão de cargos na chapa majoritária, até porque isso envolve outros líderes.
O PDT está dividido entre os que preferem a aliança com o MDB, em torno de Gabriel Souza, e os que apostam na candidatura própria.
No primeiro grupo estão os que ocupam cargos no primeiro e segundo escalões do governo e os que preferem ver Juliana concorrendo a deputada federal, para reforçar a nominata do partido, que corre o risco de não vencer a cláusula de barreira e precisa desesperadamente eleger representantes na Câmara.
No segundo, o presidente Carlos Lupi e os líderes que leem as pesquisas de hoje sem lembrar que em 2024 Juliana largou bem mas se desidratou no decorrer da campanha e ficou em terceiro lugar no primeiro turno.
Pimenta deixou a sede do PDT com o livro Meu avô Leonel Brizola, presente de Juliana.
Encontros
A ex-deputada, que concorreu a prefeita de Porto Alegre em 2024 e ficou em terceiro lugar, está muito otimista com os encontros que tem feito, com os números significativos das pesquisas e com “todo o carinho das ruas”.
A avaliação é de que a candidatura está criando corpo e, como o PDT não tem nomes competitivos em outros Estados, a direção nacional colocaria o foco no Rio Grande do Sul.
— Vou seguir dialogando com todas as forças políticas que estejam dispostas a colocar o Rio Grande acima das diferenças. O meu compromisso é claro: servir ao povo gaúcho, com escuta, com respeito e com coragem para construir.
Nos últimos meses, Juliana já teve conversas com todos os principais líderes do PT e também de PSB, PC do B, PSOL, Avante, Solidariedade e União Brasil. Antes do avanço no diálogo com o PT, conversou com o governador Eduardo Leite (PSD).


