
Encerrada a rebelião de deputados e senadores que durante dois dias sequestraram o plenário da Câmara e do Senado para pressionar os presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre a colocarem em pauta projetos de interesse do bolsonarismo, o que restou? As imagens desses dois dias refletem o baixo nível dos parlamentares que protagonizaram os atos de rebeldia e a fragilidade dos comandantes das duas Casas.
Alguém que conheceu Ulysses Guimarães e Petrônio Portella, para ficar em dois exemplos bem antigos, poderia imaginar cenas como as registradas nas duas casas? Ou com Ibsen Pinheiro na presidência da Câmara e José Sarney na do Senado? Certamente, não.
O relativo sucesso dos marmanjos com comportamento de adolescentes, que garantiram cenas de aparente valentia para as suas redes sociais, deve-se à falta de liderança de Motta e Alcolumbre.
Ao perceber que os dois não tinham pulso para garantir a ordem, a molecada se empolgou. Deputados e senadores que jamais chegarão à presidência das duas casas animaram-se a sentar no lugar dos titulares, fingindo-se acorrentados ou com esparadrapo na boca, para exigir abertura de um processo de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado e a colocação, na pauta da Câmara, do projeto que anistia os envolvidos na fracassada tentativa de golpe de 2022.
Motta reassumiu o controle da Câmara dizendo que não fez acordo com ninguém e que irá punir os rebeldes. Ele não fez porque o acordo que permitiu a desocupação foi costurado com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, o que é a suprema desmoralização do atual presidente. O acerto envolveria a votação do fim do foro privilegiado e da anistia.
Alcolumbre garantiu que não fez acordo nenhum e que abrir ou não processo de impeachment de ministro do Supremo não depende de número de assinaturas, sinalizando que não irá para o enfrentamento com Alexandre de Moraes.
Como o que se diz publicamente no Congresso nem sempre é o que foi acertado nos bastidores, ficam os brasileiros sem saber o que vai acontecer nos próximos dias, semanas ou meses. A impressão deixada pela invasão dos dois plenários é de que Motta e Alcolumbre encolheram nos últimos dias e precisarão reconstruir pontes para não passar para a História como marionetes.



