
Tratado como “frouxo” por não ter determinado punição imediata aos deputados que bagunçaram o plenário da Câmara, ocuparam as cadeiras da Mesa Diretora e impediram a realização de sessões, o presidente Hugo Motta resolveu endurecer com os baderneiros para tentar recuperar a autoridade ameaçada. Com aval dos demais integrantes da Mesa, Motta indicou a suspensão de 14 deputados por até seis meses. O corregedor da Câmara, deputado Diego Coronel (PSD-BA), vai analisar representações contra os seguintes deputados:
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Luciano Zucco (PL-RS), líder da minoria
- Allan Garcês (PP-MA)
- Caroline de Toni (PL-SC)
- Marco Feliciano (PL-SP)
- Domingos Sávio (PL-MG)
- Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do partido
- Zé Trovão (PL-SC)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Paulo Bilynskyj (PL-SP)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Julia Zanatta (PL-SC)
A lista inicial tinha cinco deputados, mas foi ampliada para 14, incluindo os que lideraram o motim. Mesmo depois de costurado o acordo para liberar as cadeiras, Zé Trovão ameaçava bater em quem tentasse tirá-lo de onde estava, enquanto Van Hattem se recusava a deixar a cadeira e Pollon se esbaldava no lugar do presidente. Júlia Zanatta, conhecida como a deputada da tiarinha de flores, levou sua bebê de quatro meses para servir de escudo e foi denunciada ao Conselho Tutelar.
Ameaçado de ficar seis meses sem salário, Zé Trovão debochou dizendo que precisava de trabalho, mas que sabe fazer muitas coisas, como cortar grama. Antes de ser deputado, ele era um dos líderes dos caminhoneiros.
Se os deputados serão mesmo punidos, vai depender da corregedoria parlamentar e da comissão de ética. É possível que tenham uma punição mais branda do que afastamento por seis meses, mas alguma coisa a Câmara terá de fazer se não quiser passar a ideia de Casa da Mãe Joana, que permite qualquer tipo de molecagem.
Defensores dos deputados que promoveram o motim alegam que outros parlamentares já fizeram coisa semelhante no passado e lembram o caso das senadoras que, em 2017, ocuparam a mesa para evitar a aprovação da Reforma Trabalhista. À época, as parlamentares ficaram menos tempo impedindo os trabalhos e, quando a sessão foi reaberta, a maioria aprovou a reforma proposta pelo então presidente Michel Temer.




