
Projeto antigo do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a transferência do Hospital Fêmina da Rua Mostardeiro para o complexo no Bairro Cristo Redentor terá avanço significativo nesta semana, com a assinatura de contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturar uma parceria público privada (PPP). Para que o projeto pudesse avançar, o Ministério da Saúde trocou com o Grupo Zaffari uma área na Avenida Ipiranga por outra de 9 mil metros quadrados em frente ao Hospital Conceição, onde será construído o prédio que abrigará o Fêmina e o Hospital da Criança Conceição.
O acordo com o BNDES, que terá dois anos para estruturar a PPP, será assinado na quinta-feira (28), durante o congresso internacional do GHC sobre impactos de desastres climáticos na saúde. A ideia é entregar a construção e a manutenção da estrutura física do hospital à iniciativa privada, ficando a gestão da saúde com o GHC.
— Será um hospital inteligente, com a mais moderna tecnologia disponível, para atender pacientes 100% SUS — informa o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello.
Em entrevista ao Gaúcha Atualidade desta segunda-feira (25), Barichello detalhou o projeto e o destino das atuais estruturas ocupadas pelo Fêmina e pelo Hospital da Criança Conceição. A área do Fêmina, avaliada em mais de R$ 80 milhões, será oferecida ao mercado. O Criança Conceição vai se transformar em albergue para acomodar as mães que recebem alta mas precisam deixar seus bebês internados ou pacientes que vêm do Interior e precisam ficar mais de um dia em Porto Alegre para fazer exames ou realizar tratamento ambulatorial.
Barichello explicou que, na origem, o Criança era um hospital de infectologia, com quartos pequenos, de isolamento, incompatíveis com as necessidades de hoje. Não haveria como fazer uma simples reforma, daí a ideia de transformá-lo em albergue. Já o Fêmina ficará próximo ao novo Centro de Diagnóstico, que será construído pelo Ministério da Saúde, e ao Centro de Oncologia, já inaugurado, facilitando a integração dos tratamentos.
— Este hospital reunirá o Fêmina e o Criança Conceição, em um equipamento de grande porte, moderno, voltado para a atenção integral com a saúde da mulher, da infância e dos adolescentes — reforçou Barichello.
Estão previstos 530 leitos, 35 salas cirúrgicas, ambulatórios, banco de leite humano, salas de fertilização (serviço inédito que hoje não é oferecido), emergências especializadas e UTI pediátrica e neonatal, a um custo estimado de R$ 1 bilhão. Os ativos serão de propriedade da União. A empresa vencedora da concorrência fará um contrato de gestão por pelo menos 30 anos.
Congresso já tem 1,8 mil inscritos
Com o tema Emergências climáticas, cuidados integrados e participação social — desafios para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o 1º Congresso do GHC já tem 1,8 mil inscritos entre profissionais de saúde de diferentes Estados brasileiros e do Exterior.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desembarca em Porto Alegre na véspera do início do congresso, a ser realizado de quinta (28) a sábado (30). Padilha e Barichello viajarão para Rivera na quarta-feira, a fim de discutir saúde pública na Fronteira, e de lá voarão para Passo Fundo. Embora as atividades do congresso comecem na quinta-feira às 9h, com o Encontro Estadual das Instituições de Ensino e Pesquisa no SUS, a abertura oficial está marcada para as 17h30min. Na conferência de abertura, Padilha falará das iniciativas do SUS para melhorar a saúde dos brasileiros.
As inscrições (gratuitas) podem ser feitas no site ghc.com.br.

