
No discurso que fez após o anúncio das medidas para socorrer os exportadores prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos, o presidente Lula colocou a soberania do Brasil acima de tudo. A bandeira do Brasil ficou em destaque no cenário, numa sinalização de que o governo quer valorizar o efeito político da reação à tentativa do governo de Donald Trump de interferir nas instituições brasileiros.
A presença de representantes dos empresários e dos trabalhadores e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, completaram o quadro que mostra a união contra as sanções dos Estados Unidos.
Câmara e Senado serão protagonistas nas próximas semanas, porque a medida provisória chamada de Brasil Soberano precisa ser aprovada nas duas casas. Usando a comparação com o futebol, Lula disse que agora a equipe do governo está passando a bola para a equipe do Congresso.
De improviso, Lula disse e repetiu que não quer brigar com os Estados Unidos. Que está disposto a negociar e para isso tem um time "que nem o Real Madrid, nem o Barcelona, nem o Paris Saint-Germain têm". Citou o etanol como um dos produtos que o Brasil tem condições de negociar com os norte-americanos.
— Nossa soberania é intocável — discursou Lula, referindo-se à tentativa de Trump de interferir no Supremo Tribunal Federal e de punir o Brasil pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Sem citar o nome de Bolsonaro, Lula disse que, se Trump conhecesse a verdade sobre a tentativa de golpe, aplaudiria o que o Supremo está fazendo. Ponto por ponto, refutou as acusações que o governo Trump vem fazendo ao Brasil, com destaque para o suposto desrespeito aos direitos humanos, contido em relatório inconsistente do Departamento de Estado.
Garantiu que não existe violação de direitos humanos e que no caso de Bolsonaro está sendo respeitado o “devido processo legal”, com direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Como saída para a crise do tarifaço, o presidente disse que o caminho é procurar novos mercados, o que vem sendo feito pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e pela Agência de Promoção das Exportações (Apex).
— Se os americanos não querem comprar nossos produtos, nós vamos vender para outros países. Se não quiserem, vamos procurar o mercado interno. Se quer negociar etanol, vamos negociar. Meu time não tem medo de briga, mas antes de brigar queremos negociar — disse Lula, lembrando que já conversou com os presidentes da Rússia, da China e da Índia.
Definindo-se como um vendedor, Lula disse que não se importa de andar com uma caixa de frutas na cabeça, para oferecer a quem quiser comprar, dentro e fora do Brasil.
— Só não carrego jaca, porque é muito pesada — brincou, arrancando gargalhadas da plateia.
O presidente anunciou que fará um roteiro pela Ásia em outubro e irá à Índia no início do próximo ano, para tentar ampliar as vendas para outros países.

