
No momento em que nesta terça-feira (29) o programa Gaúcha Atualidade debatia soluções para o problema mais desafiador da área da segurança atualmente, o elevado número de feminicídios, em Garibaldi uma mulher de 38 anos estava sendo estrangulada pelo monstro que em algum momento foi seu companheiro.
Pode ter sido um pouco antes, um pouco depois. A perícia dirá o horário do assassinato, mas isso é irrelevante. O corpo foi encontrado por volta do meio-dia, na Rua Saldanha Marinho, no bairro São Francisco. No início da tarde, o suspeito foi preso.
Na noite de sexta-feira (25), um casal foi encontrado morto em um apartamento em Canela, com marcas de tiros na cabeça. Yasmin Schaefer da Luz tinha 30 anos, o marido Bruno Rocha da Luz, 31. A conclusão preliminar da Polícia Civil é de que se trata de feminicídio seguido de suicídio.
Um bebê de um ano crescerá órfão de pai e de mãe porque um covarde se achou no direito de eliminar a mulher com quem tinha uma relação amorosa, sem piedade dela, da criança e das famílias de ambos.
Esses dois casos, ocorridos em duas das cidades mais aprazíveis da Serra, dão rostos às estatísticas que assombram as autoridades da área de segurança. Enquanto todos os outros crimes vêm caindo de forma consistente pela atuação das forças de segurança, o feminicídio segue destruindo famílias e nos obrigando a refletir sobre as soluções possíveis.
No Atualidade, ouvimos a juíza-corregedora Taís Culau de Barros, responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica do TJRS), a promotora de Justiça do Ministério Público Ivana Battaglin, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPRS, a defensora pública, Paula Granetto (dirigente do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do RS), e a delegada Tatiana Bastos (diretora do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil).
As quatro protagonizaram uma mesa-redonda de alto nível, orientando mulheres que sofrem com a violência psicológica, muitas vezes sem perceber que ela é a antessala da agressão física ou da morte. Destacaram as questões culturais que levam homens machistas a se julgarem donos das mulheres que pensam amar, mas são movidos pelo sentimento de posse.
Ressaltaram a importância de orientação nas escolas, para que meninos aprendam a respeitar as mulheres desde pequenos e meninas saibam como se proteger. Ensinaram que os órgãos públicos precisam atuar articulados, para que a rede de proteção seja efetiva.
Mostraram a importância da medida protetiva, desde que venha acompanhada de mecanismos para impedir de fato a aproximação do agressor, e de uma rede de acolhimento para que a mulher saiba a quem recorrer quando corre perigo. Discorreram sobre a necessidade de independência econômica, para que não se mantenham presas a um casamento fracassado por não ter como se sustentar.
Nenhuma das soluções é original ou funciona de forma isolada. Informação é poder — e uma mulher precisa saber que não vive mais na Idade Média e que homem algum tem o direito de invadir sua privacidade, de querer saber a senha do celular ou decidir o que ela pode ou não vestir. As mães precisam mostrar às suas meninas que ciúme exagerado não é sinal de amor, mas de insegurança, e que é preciso compartilhar com a família quando sentir que está correndo algum tipo de risco.




