
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Ex-vice-presidente da República no governo de Jair Bolsonaro, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) condenou o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a intromissão do norte-americano no processo em que Bolsonaro é réu — considerado uma "injustiça" pelo senador.
— Da mesma forma que eu não aceito que o Macron, que a Greta Thunberg, que o Leonardo Di Caprio e outros venham meter a mão em coisas aqui do Brasil, eu também não aceito que o Trump venha meter o bedelho num caso aqui que é interno nosso. Há uma injustiça sendo praticada quanto ao presidente Bolsonaro, mas compete a nós, brasileiros, resolvermos isso — enfatizou o senador.
Mourão falou durante cinco minutos na sessão da manhã desta terça-feira (15) da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que debateu as tarifas de importação de 50% impostas ao Brasil por Trump. O senador também criticou o movimento dos Estados Unidos, avaliando que eventualmente pode prejudicar o país norte-americano.
— Desde que o novo presidente tomou posse nos Estados Unidos, ele partiu para uma linha de ação de usar o poder bruto que o país tem, de coerção e dinheiro. Sempre lembrando que a visão dele (Trump) de relações internacionais era diplomacia, comércio exterior, liberdade, e ele está exatamente atentando contra isso, num momento de reorganização da ordem mundial. A mim, me parece que a estratégia que o presidente Trump vem adotando vai terminar por prejudicar os interesses da grande nação americana.
O senador eleito pelo Rio Grande do Sul ainda descreveu duas linhas de ação possíveis para o Brasil no que chamou de "guerra". Uma delas seria partir para o confronto, aplicando reciprocidade junto com declarações fortes e "brigas pelo Twitter". O outro modelo de enfrentamento seria a "estratégia do mingau quente":
— Vamos comer esse mingau pela beirada. Vamos à nossa diplomacia, vamos utilizar os nossos ministros e as nossas empresas. E também acho que a gente pode, nós aqui do Parlamento, tentarmos um contato com a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal Americano e também abrirmos um outro canal de diálogo — sugeriu Mourão.




