
A homenagem que o MDB fez ao ex-deputado Ibsen Pinheiro nesta segunda-feira (14) é um reconhecimento ao líder que foi vítima de uma injustiça e viu sua carreira desmoronar depois de ter sido presidente da Câmara dos Deputados. No mês em que completaria 90 anos, Ibsen Pinheiro virou nome de auditório. Não de um auditório qualquer, mas o da sede estadual, adquirida em 2012, ano em que ele foi presidente do partido.
Ibsen presidiu o MDB em dois momentos — de 2010 a 2012 e de 2015 a 2017. Dono de uma retórica incomparável, burilada na longa experiência como jornalista esportivo, Ibsen migrou para a política quando o Brasil vivia o bipartidarismo e o “nós contra eles” era Arena (dos alinhados com a ditadura militar) contra o MDB, da resistência.
Natural de São Borja, foi vereador de Porto Alegre, deputado estadual, deputado federal e presidiu a Câmara dos Deputados. Por duas vezes exerceu o cargo de presidente da República e teve papel decisivo na elaboração da Constituição Brasileira de 1988, mas caiu em desgraça quando foi associado à CPI do Orçamento e teve uma informação errada sobre seu patrimônio divulgado nas revistas Veja. Perdeu o mandato e, anos mais tarde, o autor da reportagem admitiu que a reportagem tinha um zero a mais no patrimônio.
Ibsen retomou a carreira política como vereador em Porto Alegre e, depois, deputado estadual. Além de jornalista, era advogado e foi procurador de Justiça, promotor do Estado e dirigente do Sport Club Internacional.
Na homenagem, o prefeito Sebastião Melo, de Porto Alegre — cidade que Ibsen escolheu para viver — destacou a contribuição dele para a Capital, a qual serviu duas vezes como vereador e como deputado estadual e federal:
— Conversar com Ibsen era sempre um aprendizado. Muito ele fez pela cidade, pelo Rio Grande e pelo Brasil.
O presidente do MDB-RS, Vilmar Zanchin, que foi colega de Ibsen na Assembleia Legislativa, justificou a homenagem:
— Ibsen foi uma das maiores personalidades políticas do seu tempo.
Os ex-governadores Pedro Simon, Germano Rigotto e José Ivo Sartori evidenciaram a sua coragem, equilíbrio e espírito público.
— Ibsen foi uma das mais brilhantes vozes do Congresso Nacional — disse Rigotto.
— Tinha a capacidade de aproximar as pessoas para um determinado fim — reforçou Sartori.
O ex-senador Pedro Simon, responsável pela filiação de Ibsen, sintetizou:
— Foi um grande líder.



