
Na entrevista que deu ao Gaúcha Atualidade na manhã desta quarta-feira (23), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, antecipou que o presidente Lula vetará trechos do projeto de lei aprovado pelo Congresso na semana passada e apelidado de “PL da devastação”. Se dependesse de Marina, Lula vetaria o projeto inteiro, embora ela reconheça que é necessário atualizar a legislação para tornar os licenciamentos mais ágeis, sem perder o rigor técnico na avaliação dos riscos ambientais.
Uma das maiores preocupações de Marina é com a liberdade para supressão de árvores da Mata Atlântica, um dos biomas de maior impacto para as mudanças climáticas. A ministra acredita que Lula vai vetar essa parte do projeto e “oferecer uma alternativa”.
Marina alertou que, se Lula sancionar o projeto na forma como foi aprovado, o Brasil perderá espaço nos mercados internacionais conquistados com a promessa de conter a devastação na Amazônia e que o agronegócio brasileiro, que trabalhou pela mudança na legislação, será prejudicado. A ministra lembrou que um dos pontos que o governo dos Estados Unidos incluiu nas investigações sobre práticas indesejáveis no Brasil está a gestão ambiental.
O que Marina não deve esperar é que Lula vete a possibilidade de fazer pesquisas para detecção de petróleo na Foz do Rio Amazonas. Autorizar a exploração de petróleo é uma exigência das bancadas do norte do país, que querem os royalties para seus Estados. Os defensores da liberação argumentam que outros países estão ficando ricos às custas do petróleo, enquanto o Brasil insiste em preservar essa área. Um desses países é a Guiana.



