
Assim que o repórter Jocimar Farina tornou pública a intenção do prefeito Sebastião Melo de conceder a Usina do Gasômetro à iniciativa privada, os grupos de WhatsApp de petistas e simpatizantes da esquerda entraram em ebulição. A deputada Maria do Rosário encabeça um movimento junto ao governo federal, na tentativa de impedir Melo de realizar a concorrência. A intenção da prefeitura é lançar o edital já no dia 15 de julho.
Nesta segunda-feira (7), Rosário fez contato com o Ministério da Cultura e pediu audiência com a direção do Banco do Brasil. Como o prédio é da União e foi cedido à prefeitura em 1982, a deputada entende que a concessão só pode ser feita com autorização do governo federal.
— Se a prefeitura quiser continuar administrando, tudo bem. Mas se quer repassar para a iniciativa privada porque não tem condições de gerenciar, que devolva para a União. O que não podemos é deixar que o maior símbolo de Porto Alegre, ao lado do Laçador, seja alvo de uma concessão que dificulta o acesso da população, como ocorre com outros equipamentos púbicos cedidos ao setor privado — diz Rosário.
A sugestão da deputada, caso a prefeitura não queira continuar gerindo a Usina, é que ela seja transformada em um Centro Cultural Banco do Brasil, como os que existem em outras Capitais. Rosário chegou a pensar em um Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, mas esse projeto já existe. É o de transformação do Cine Imperial, que começou a ser reformado em 2009 e até hoje não foi concluído.
O ex-prefeito José Fortunati embarcou no movimento capitaneado por Rosário. Em um grupo de simpatizantes da esquerda, Fortunati escreveu:
“A reforma da Usina do Gasômetro vinha acontecendo com recursos de um financiamento da CAF (Corporação Andina de Fomento). A proposta da deputada Maria do Rosário é pertinente. Tanto o BB como a CAF têm investido em Centros Culturais. Privatizar aquele espaço é um verdadeiro atentado. Lembrando que a usina só sobreviveu porque o movimento popular lutou e conquistou aquele espaço, no final da década de 1970 e início de 1980, como um Centro Cultural público”.
A prefeitura informa que ainda não vai se manifestar sobre a concessão, porque estão sendo feitos ajustes no edital. Em relação à afirmação dos petistas de que a União precisa autorizar a concessão, a Secretaria de Comunicação Social garante que "tudo está absolutamente regular do ponto de vista de formal".




