
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Amostra, sob responsabilidade da socióloga Margrid Sauer, revelou que 98% dos gaúchos perceberam mudanças no clima em seus municípios nos últimos cinco anos — como chuvas mais intensas, secas prolongadas e aumento das temperaturas. O levantamento foi feito com 1,6 mil moradores de 60 cidades do Rio Grande do Sul, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%.
Apesar da percepção quase unânime sobre as alterações do clima, cai para 88,4% o índice de entrevistados que atribuem as catástrofes locais às mudanças climáticas globais. Essa diferença sugere que, para uma parcela dos gaúchos, é mais fácil identificar os impactos em seu cotidiano do que compreender que eles são parte de um processo científico global e de grande escala.
Ao serem questionados sobre quem deveria ser o principal responsável por combater os efeitos das mudanças climáticas, 44,5% dos gaúchos apontaram os próprios cidadãos, seguidos pelo governo federal, com 28,1%. Apenas 6,5% atribuíram a responsabilidade às empresas. É o mesmo percentual dos governos estaduais, seguidos pelos municipais que aparece com índice ainda mais baixo (2,6%).
"Entretanto, 12,2% dos entrevistados não souberam responder essa questão, o que pode indicar falta de clareza sobre quem deveria liderar o combate às mudanças climáticas, ou talvez uma percepção de que a responsabilidade é difusa demais para ser atribuída a um único ator", avalia o estudo.
Sobre a atuação dos governos locais, os entrevistados se dividiram: 32,6% afirmam que a prefeitura de sua cidade tem feito um bom trabalho para promover práticas sustentáveis, enquanto 29,7% consideram que "faz algo, mas poderia fazer mais", e 31,8% disseram que "não está fazendo nada".
"Isso indica que para a maioria da população ainda há espaço para mais ações e/ou melhor comunicação por parte do governo municipal", diz trecho do levantamento.
Isso indica que para a maioria da população ainda há espaço para mais ações e/ou melhor comunicação por parte do governo municipal.
PESQUISA DO INSTITUTO AMOSTRA
No comportamento individual, 90,7% dos entrevistados afirmam adotar ao menos algumas práticas sustentáveis no dia a dia, como separação do lixo, economia de água ou energia elétrica. Entre eles, 67,6% dizem aplicar várias ações regularmente.
Por fim, o otimismo em relação ao futuro é alto: 90,4% acreditam que investir em sustentabilidade pode trazer benefícios econômicos para si e para suas cidades. Apenas 1,4% avaliam que este caminho não é a solução.





