
A cada post que publica nas redes sociais ou a cada entrevista que dá, o ainda deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) avança uma casa na direção da renúncia, por absoluta falta de condições de retornar ao Brasil até 21 de julho, quando termina o prazo de sua licença para tratamento de interesses particulares.
Nesta segunda-feira (14), ele voltou a afirmar que pode renunciar ao mandato. Considera que, se voltar, será preso e terá o passaporte retido, mesmo que não seja réu nem alvo de denúncia no caso dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Sem renda, o deputado terá de vender patrimônio ou viver das vaquinhas organizadas pelo pai, já que o PL não mostra disposição de sustentá-lo nos Estados Unidos, onde está com a esposa e os filhos. Jair Bolsonaro já disse que precisa de ajuda financeira dos simpatizantes porque tem de mandar dinheiro para o filho e a vida nos Estados Unidos é cara.
Nesta segunda-feira (14), Eduardo deu uma longa entrevista à Folha de São Paulo e disse que não se arrepende do movimento que fez em defesa do pai e que resultou na imposição, por Donald Trump, de tarifas de 50% para as exportações brasileiras. Embriagado pelo sucesso de sua investida junto à direita americana, o filho Zero Três está se achando maior do que é, de fato. Chegou ao ponto de criticar o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, por ter procurado a Embaixada dos Estados Unidos para negociar:
— É um desrespeito comigo. Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente (sic), exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo. Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes — disse à Folha.
O deputado que o senador Hamilton Mourão apelidou de Bananinha, quando começou a se meter nos negócios de Estado, no governo do pai, diz que não se arrepende de nada do que fez. Confessa, sem dizê-lo, que está se lixando para a indústria, o agro e todos os exportadores que perderão negócios com o tarifaço. Ele, que sonhou ser embaixador nos Estados Unidos, hoje conspira abertamente contra o Brasil.
Na mesma entrevista à Folha, disse que provavelmente perderá o mandato, porque seu tempo está se esgotando e só voltará ao Brasil quando os Estados Unidos impuserem sanções ao ministro Alexandre de Moraes. Ora, mesmo que o governo Trump casse o visto de Xandão (ou não aceite seu passaporte diplomático), o ministro vai continuar atuando no processo em que Jair Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.
Para quem não lembra, na origem Alexandre de Moraes é promotor de Justiça. Virou ministro do Supremo pelas mãos de Michel Temer, à época sob críticas do PT.




