
A crise provocada pelo tarifaço colocou em evidência no cenário de Brasília a figura serena do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. É ele o interlocutor dos empresários e o homem escalado para conversar com o governo dos Estados Unidos, tarefa até aqui frustrada pela irredutibilidade do presidente Donald Trump.
Na próxima segunda-feira (28), os líderes dos setores mais prejudicados pelo tarifaço terão mais um encontro com Alckmin e com Lula em Brasília para discutir estratégias de reação e o programa do governo para socorrer as empresas afetadas.
Nesta sexta-feira (25), em Osasco, Lula ressaltou o papel de Alckmin na negociação com os Estados Unidos e reafirmou que é ele o negociador escalado pelo Brasil. Ao lado de Alckmin, discursou:
— Esse moço aqui, Geraldo Alckmin, é o meu vice-presidente. Esse cara é exímio negociador, não levanta a voz e não manda carta. Ele só quer conversar.
Como se falasse diretamente ao presidente dos Estados Unidos, provocou em tom de bravata:
— É preciso conversar. E está aqui o meu conversador número 1. Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele. Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir, para tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram. E quando você souber a verdade, você vai falar: “Lula, eu não vou mais taxar o Brasil, vamos ficar do jeito que está”.
O presidente disse que Trump foi induzido a acreditar na mentira de que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sofrendo perseguição no Brasil:
— O Bolsonaro não está sendo perseguido. Ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe neste país. Ele não queria que eu e o Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes. Isso já está provado por delação deles mesmos.
Bolsonaro negou ter conhecimento do plano, cuja autoria foi assumida pelo general Mario Fernandes, em depoimento ao Supremo. Fernandes disse que a ideia dos assassinatos passou pela sua cabeça e ele digitalizou o pensamento e imprimiu para “poder ler melhor sem cansar a vista". De acordo com a investigação, o plano batizado de Punhal Verde e Amarelo foi impresso no Palácio do Planalto, em três vias, e reimpresso dias depois. Mario Fernandes era um dos principais assessores de Bolsonaro na Secretaria-Geral da Presidência.

