
A menção da coluna à devolução das estradas federais ao fim do término da concessão, com a opinião de que elas pioraram quando a manutenção retornou ao Dnit, deixou o ex-governador Tarso Genro indignado.
Em nota à coluna, Tarso reclamou: "Quero registrar a minha inconformidade com a nota que publicaste sobre a EGR, na tua coluna recentemente. A nota demonstra que sequer leste a legislação estadual que regulava o seu funcionamento, cuja contabilidade era exposta, publicamente, às comunidades que fruíam os seus serviços. A EGR era uma bem-sucedida empresa pública de caráter não-estatal, que foi verdadeiramente liquidada, após a finalização do meu governo, especialmente para atender os interesses das concessionárias privadas que, como sabes, com raras exceções, têm mais interesses na sua lucratividade do que propriamente em atender o interesse público".
No trecho seguinte, Tarso faz uma ilação: "A citação do meu nome, na tua matéria, demonstrando os supostos 'erros' do meu governo, nas nossas política públicas de pedagiamento sob controle social, tem apenas uma finalidade: encobrir os verdadeiros fracassos dos governos que me sucederam, no tema das melhorias e controle de qualidade das estradas do nosso Estado".
A coluna mencionou a EGR de passagem e lembrou que a manutenção das rodovias federais, como a BR-290 e a BR-386 piorou quando o governo Tarso as devolveu ao governo federal e passaram para a responsabilidade do Dnit. À época, a presidente era Dilma Rousseff.
Os usuários da BR-386 sabem que a situação só melhorou com a concessão (federal) à CCR Via Sul. No caso da BR-290, qualquer usuário pode conferir o estado de conservação — de Eldorado do Sul a Uruguaiana. A duplicação do trecho Eldorado do Sul-Pantano Grande, contratada no governo Dilma, ficou parada nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Retomados no governo Lula, os lotes 3 e 4 estão em obras. O 1 e o 2, cuja conclusão foi prometida por Lula até o final de 2026, ainda nem começaram.
É fato que os contratos anteriores, firmados no governo de Antônio Britto, não previam a duplicação de nenhuma das rodovias. Tarso poderia ter feito outra licitação, mas optou por devolver as federais ao Ministério dos Transportes e criar a EGR, que também não fez obras de grande porte e foi motivo de constantes reclamações dos usuários ao longo dos últimos anos.
Tarso sustenta que, ao contrário da avaliação da coluna, a EGR "melhorou visivelmente a 287 e a sua extinção, irresponsável e predatória, não foi justificada, em termos de interesse público". A EGR ainda não foi extinta. Parte das rodovias estaduais que estavam sob sua responsabilidade foi repassada à iniciativa privada (caso da RS-287, entre Montenegro e Santa Maria, e da RS-122 e outras estradas da Serra).





