
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Os desafios enfrentados pelo Brasil na educação profissional, no uso da inteligência artificial e na fiscalização dos recursos públicos foram tema de palestra da presidente executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, em Porto Alegre. Ela participou da programação em comemoração dos 90 anos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS).
Priscila chamou atenção para a baixa adesão à educação profissionalizante no Brasil: apenas 15% dos estudantes do Ensino Médio estão matriculados nessa modalidade — abaixo da média latino-americana, que é de 22%, e distante da realidade de países como Alemanha e Suíça, onde o índice passa de 50%. Segundo ela, os cursos brasileiros ainda são moldados para uma economia industrial que não existe mais.
— Seguimos oferecendo uma formação baseada nesse modelo antigo, esperando que isso assegure um futuro digno para os jovens. Mas não vai. Se não mudarmos essa lógica, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo, não vamos preparar nossos estudantes para os desafios reais do presente — afirmou.
A executiva do Todos pela Educação também abordou as transformações trazidas pela inteligência artificial (IA), que, segundo ela, diferem radicalmente da Revolução Industrial. Como impactos da implementação da ferramenta no mercado de trabalho, Priscila prevê que funções de entrada devem ser extintas, e que são os jovens — em particular os de menor poder aquisitivo — que vão sofrer com as consequências.
— A robotização e a inteligência artificial são processos concomitantes, que estão capturando e terceirizando funções que antes nos pertenciam. O que nos define, a capacidade de pensar, raciocinar, criar soluções e estratégias, está sendo, em parte, transferido para a inteligência artificial — avalia.
Priscila também criticou a influência crescente de plataformas como o TikTok na alfabetização e na capacidade de concentração dos jovens, e elogiou iniciativas como a proibição do uso de celulares nas escolas.
Ao tratar da importância do controle externo, Priscila defendeu o fortalecimento dos tribunais de contas como instâncias técnicas e imparciais capazes de apontar falhas e cobrar resultados de forma embasada.


