
O jornalista Paulo Egídio colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) divulgou nota nesta quarta-feira (4) reafirmando o teor do depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na ação que investiga suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Mourão era vice-presidente da República na época.
No dia anterior, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Mourão seja ouvido novamente, por solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O pedido da PGR foi motivado pela revelação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) telefonou para Mourão antes da audiência.
No comunicado, o senador garantiu que não foi constrangido ou ameaçado pelo ex-presidente nem recebeu insinuações que pudessem influenciar no depoimento. Segundo ele, Bolsonaro apenas o consultou se concordaria em depor como testemunha de defesa.
"Concordei com o pedido do ex-presidente, e passei a perguntar-lhe sobre seu estado de saúde, visto que se recuperava de recente cirurgia", acrescentou.
A Polícia Federal tem 15 dias para ouvir novamente o senador.
Veja a íntegra do comunicado de Mourão:
"Tomei conhecimento, a partir de diversas matérias veiculadas na imprensa, de que, atendendo a requerimento da Procuradoria Geral da República, em representação formulada pelo Deputado Federal Lindberg Farias, o Ministro Alexandre de Moraes determinou a tomada de minhas declarações, a fim de apurar alguma irregularidade no depoimento que prestei como testemunha de defesa do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
Tenho a esclarecer que nada de irregular ou ilegal ocorreu. O ex-Presidente entrou em contato comigo, dias antes da data marcada pelo STF, me consultando se concordaria em depor como testemunha de defesa e se na data designada pela Corte seria possível.
Esclareceu que fazia esse contato tendo em vista que — de maneira excepcional —, o ministro relator do processo não iria expedir intimações às testemunhas indicadas pelas defesas, cabendo a estas, então, contatá-las e pedir a gentileza de prestarem depoimento.
Concordei com o pedido do ex-presidente, e passei a perguntar-lhe sobre seu estado de saúde, visto que se recuperava de recente cirurgia.
Em momento algum fui constrangido, ameaçado ou recebi alguma insinuação que pudesse, de alguma forma, influenciar meu depoimento que, registro, foi a expressão da verdade em cada palavra, ratificando-o integralmente."





