
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Por unanimidade, os deputados que integram a Comissão de Serviços Públicos aprovaram requerimento para convidar o secretário estadual de Comunicação, Caio Tomazeli, para prestar esclarecimentos sobre o documentário Todos nós por todos nós. Foi Miguel Rossetto (PT) quem solicitou o convite, convencido de que o filme foi feito para autopromoção do governador Eduardo Leite.
No requerimento do convite, Rossetto aponta sete dúvidas que pretende esclarecer com o secretário. O deputado quer entender quanto foi gasto na produção e divulgação do filme, se houve processo licitatório e como foi a contratação para gravar, produzir e promover o conteúdo.
Aprovado o requerimento, a comissão fará o convite formal para Caio Tomazeli comparecer a uma das sessões do grupo, que se reúne sempre às quintas-feiras.
— Minha expectativa é que já na próxima quinta-feira (5) ele venha. Todos deputados reconhecem a importância da presença do secretário por conta da grande repercussão e gravidade do assunto — prevê Rossetto.
Em caso de recusa ou não resposta por parte de Caio Tomazeli, a comissão pode votar uma convocação e obrigar a presença do chefe das comunicações. Entretanto, isso não deve ser necessário: à coluna, o secretário disse estar "sempre à disposição para dialogar".
Polêmica
Lançado no início de maio, o documentário logo foi motivo de polêmica, principalmente entre os petistas, que questionam o uso de dinheiro público "para produzir um filme de autopromoção" do governador.
Os deputados levaram o caso ao Ministério Público, pedindo a devolução do dinheiro aos cofres públicos e a cessão da veiculação da peça. O deputado Paulo Pimenta também quer que Leite seja punido por desrespeitar o princípio da impessoalidade na propaganda.
Outro ponto questionado pelos petistas é o título do documentário, Todos nós por todos nós. A frase escolhida é muito semelhante a um dos slogans da campanha de 2022 de Leite, que estampou "agora somos todos nós por todos nós" em camisetas e exibiu a marca em pelo menos uma programa eleitoral.
Contraponto
À época, a Secretaria de Comunicação lançou uma nota de três parágrafos defendendo o documentário. O texto diz que o documentário "é uma obra com valor histórico, produzida por sua própria equipe, com imagens do Departamento de Jornalismo, que retrata, de forma objetiva, o impacto e os reflexos das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul".
A nota ressalta ainda que o documentário inclui imagens de outras lideranças, como o presidente Lula, e reforça que o objetivo foi "destacar o trabalho realizado, prestar contas e apresentar o andamento do Plano Rio Grande".
Caio Tomazeli também contestou afirmação da coluna de que foi slogan da campanha:
— "Todos nós por todos nós" é o slogan do Plano Rio Grande. O slogan do segundo turno foi "O Rio Grande fala mais alto". A frase da campanha era diferente. Era "agora somos todos nós por todos nós".



