
Desde o dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação Sem desconto, que implodiu um esquema bilionário de extorsão de aposentados e pensionistas do INSS, estava claro que o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, não tinha como continuar no cargo. No primeiro dia, ele defendeu o presidente afastado do INSS, que era indicação sua e foi demitido horas depois pelo presidente Lula.
Lupi ainda tentou ficar no cargo, sustentando que não tinha sido omisso, mas a cada nova informação sobre a dinâmica do achaque aos aposentados ia perdendo força. Quando viu que a ameaça do PDT de deixar o governo não fez efeito, pediu demissão.
Na carta, alegou que não é citado na investigação. Sim, não há indício de que tenha participado da fraude, mas alguém tem dúvida de que foi omisso? Na gestão dele, os descontos, que vinham crescendo desde 2016, explodiram.
Os segurados que tentavam reaver o dinheiro descontado sem autorização não conseguiam sequer bloquear cobrança. Quem desbaratou o esquema foi a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal.
Além de não ter feito o que se espera de um ministro ao tomar conhecimento das denúncias de irregularidades, Lupi não tem o que mostrar na gestão da Previdência. As filas do INSS, que prometeu reduzir, só cresceram nesses dois anos de governo – tanto a das aposentadorias quanto a das perícias para concessão de auxílio-doença.
Em seu lugar o PDT emplacou o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Wolney Queiroz, o que não deixa de causar estranheza. Se o secretário-executivo também não viu os indícios de fraude e fez parte de uma administração leniente, que credibilidade terá para fazer a necessária faxina no INSS?
Ou ela será feita pelo novo presidente, um procurador escolhido pelo presidente Lula à revelia de Lupi?
A escolha do novo presidente do INSS sem que fosse consultado mostrou a Lupi que ele estava isolado. No governo, colegas de ministério e deputados do PT diziam que a queda era questão de tempo. Lula até que demorou para chamar Lupi para uma conversa. Com isso, a crise foi ganhando corpo ao longo da semana e estragou o 1º de maio de Lula.
Seu discurso em cadeia nacional de rádio e TV caiu no descrédito porque soou fora de contexto diante do escândalo do INSS.



