
A demanda dos produtores rurais pela renegociação das dívidas provocou nova disputa de protagonismo entre o governador Eduardo Leite e o ex-ministro da Reconstrução, deputado Paulo Pimenta. Na quarta-feira (28), Leite sugeriu usar recursos do Funrigs para bancar os juros e viabilizar a renegociação das dívidas momentos antes de o ministro da Agricultura anunciar a prorrogação das dívidas. Diante disso, Pimenta gravou um vídeo chamando Leite de "vidente esperto" e acusando-o de tentar se promover usando recursos federais.
Leite respondeu, também por vídeo. Em tom de irritação, o governador disse que o governo federal só se mexeu para efetivar a prorrogação da dívida depois que o Piratini apresentou proposta. Eduardo Leite também reclamou de frase usada por Pimenta no seu vídeo.
— Ele tá oferecendo dinheiro que é nosso, que o governo federal liberou para ele para a reconstrução. Não vai ser preciso. Governador, a gente vai usar recurso do Tesouro. Não vai ser necessário que o senhor nos empreste um dinheiro que já é nosso. Use na reconstrução — disse o deputado.
— O deputado Pimenta acha que o dinheiro é deles. Em primeiro lugar, dinheiro público é da população. O dinheiro que o Estado usa para pagar as dívidas é arrecadado aqui no RS. Nós vamos continuar trabalhando para que o RS tenha o respeito que merece ter de Brasília, que vocês não estão dando — retrucou Leite, que na legenda da publicação se referiu indiretamente a Pimenta como "suposta liderança do governo federal".
Por trás da troca de farpas está a disputa eleitoral de 2026. Embora Leite deseje ser candidato a presidente e Pimenta sonhe concorrer a governador, os dois poderão acabar se enfrentando na briga por uma cadeira no Senado. Cabo eleitoral do presidente Lula, Pimenta não quer que Leite se viabilize como candidato ao Planalto. E Leite trabalha para eleger Gabriel Souza como seu sucessor.
A briga entre os dois é pura disputa política. O dinheiro do Funrigs não é do governo estadual nem do federal. É dinheiro que o Estado deveria repassar à União em três anos de prestações da dívida pública, cujo pagamento foi suspenso pelo período para que os recursos sejam usados na reconstrução.




