
Por iniciativa do presidente da Frente Parlamentar da Infraestrutura da Assembleia Legislativa, Marcus Vinícius de Almeida (PP), oito deputados estaduais participaram nesta quinta-feira (29), no Rio de Janeiro, de uma imersão no processo de concessão do saneamento nos blocos vencidos pela empresa Águas do Rio. A direção e técnicos da Aegea, empresa que comprou a Corsan e detém a concessão dos serviços em 317 municípios gaúchos, receberam o grupo para mostrar o que está sendo feito e sanar dúvidas.
A Aegea gostaria de ampliar sua participação no tratamento de água e esgoto no Rio Grande do Sul, especialmente naqueles municípios que não têm condições de realizar os investimentos necessários para cumprir o marco regulatório do saneamento até 2033.
No Rio, o compromisso da vencedora de dois dos quatro blocos da Cedae assumiu o compromisso de atingir a meta de levar água tratada a 99% da população e esgoto a 90% até 2031, dois anos antes do que a lei exige. A Aegea também tem interesse na concessão do Dmae, mas seus dirigentes ressalvam que a apresentação ou não de uma proposta vai depender dos cálculos de viabilidade econômica à luz do edital que deve ser lançado em 2026.
Favoráveis à concessão, os deputados saíram convencidos de que o modelo escolhido pelo prefeito Sebastião Melo, semelhante ao da concessão da Cedae, que mantém público o tratamento de água, não é o ideal. O vice-presidente da Aegea para a Região Sudeste, Alexandre Bianchini, informou que a Águas do Rio paga à Cedae R$ 2,40 o metro cúbico de água. Se fosse captar e tratar, gastaria R$ 0,30, o que permitiria reduzir em 40% a tarifa cobrada dos consumidores.
A operação de gestão do saneamento no Rio é uma das mais complexas do Brasil, pelo elevado número de favelas. São 525 só na cidade do Rio de Janeiro, onde vivem 2 milhões de pessoas, e 723 no Estado. Para quebrar a resistência dos moradores, a estratégia da Aegea foi contratar trabalhadores na própria comunidade. Dos 8 mil empregados da empresa no Rio, 5 mil foram recrutados nas favelas, depois de mostrar aos líderes comunitários que a Águas do Rio levaria água potável a regiões que dependiam de “gatos” ou do transporte em baldes pelas ruelas.
Bianchini se emocionou ao exibir o depoimento de dona Rudi Silva Martins, moradora do Pavão Pavãozinho, que tomou o primeiro banho de chuveiro aos 62 anos. Quando ela disse que até então só tomara banho de caneco, os operários que instalaram os canos até sua casa doaram um chuveiro e uma torneira.
Em quatro anos, a Águas do Rio já investiu R$ 4 bilhões dos R$ 40 bi previstos para os 35 anos de concessão.
Com a ampliação do tratamento de esgoto, as águas poluídas da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas começaram a mudar de cor e a recuperar a balneabilidade. Já é possível tomar banho na Praia Vermelha e no Aterro do Flamengo.
Outra mudança perceptível a quem circula pela Zona Sul do Rio a partir da concessão é o fim do mau cheiro causado pelo refluxo do esgoto que circula em uma tubulação de cinco metros de diâmetro e nove quilômetros de extensão, que vai do Aeroporto Santos Dumont até Copacabana e joga os detritos no emissário submarino de Ipanema. Construído há 50 anos, esse duto nunca havia sido limpo. Os técnicos encontraram gordura petrificada que obstruía 70% dessa tubulação.
A colunista viajou a convite da Águas do Rio.






