
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Há cerca de um mês, o plenário da Câmara de Vereadores de Esteio precisa de um espaço extra. Não, não houve aumento de parlamentares. Mas foi quando o cãozinho Pop passou a participar das sessões, sempre acompanhado da tutora, a vereadora Dalen Oliveira (PSB).
Dalen, que se identifica como protetora até mesmo no nome político, adotou Pop no canil de Esteio, onde o animal estava havia nove anos à espera de um lar. A história conta que ele pertencia a uma moradora de rua, foi atropelado e acolhido pelo canil, onde permaneceu. O acidente o deixou com uma deficiência na pata traseira.
A vereadora se compadeceu e levou Pop para casa, onde cuida de outros 19 cães, todos adotados e a maioria já idosos ou com algum tipo de deficiência. Foi em abril que Dalen teve a ideia de levar o novo animal de estimação para a Câmara.

— A gente brinca que ele é o colega mais simpático e mais calmo da Câmara. A ideia de adotar um cãozinho para ser nosso "aussessor" é para motivar as pessoas a irem até o canil e adotar principalmente um cão idoso.
Pop foi ao Legislativo pela primeira vez em 28 de abril, acompanhado da tutora. Dalen conta que tudo foi conversado com o presidente do Legislativo e os colegas parlamentares, que receberam bem a ideia — os vereadores inclusive organizaram um chá de casa nova para o cão na última quarta-feira, quando presentearam Pop com petiscos, brinquedos e uma cama.
— Ele chegou um pouco medroso, não estava acostumado com muitas pessoas, não tinha esse carinho diário, então no primeiro dia ele teve dificuldade, caminhava devagar. Mas agora já está se achando em casa, está bem a vontade. Participa de todas as sessões nas terças-feiras, e por ser idoso ele não pula, não late. E vai comigo todos os dias para a Câmara, fica no meu gabinete — conta a vereadora.
Dalen reforça que não quer transformar o cachorro em uma celebridade, mas quer dar visibilidade aos animais "esquecidos" em abrigos e canis. A proposta é sensibilizar e motivar as pessoas a adotarem cães sem raça definida, os famosos vira-latas, inclusive os que têm mais idade ou algum tipo de deficiência.
— Eu sempre digo, canil é uma casa de passagem. O animal vai ser atendido, ser tratado, mas a gente não quer que vire uma espécie de "depósito" de animais. O animal precisa de um lar, fazer parte de uma família, ganhar amor, carinho. Vai muito além de ganhar comida.
Doações
Outro apelo da vereadora é para que as pessoas ajudem as protetoras de animais com doação de ração. A melhor forma de fazer isso, segundo Dalen Oliveira, é procurar uma agropecuária e deixar um pacote de ração pago, destinado a alguma protetora de animais de confiança do estabelecimento.




