
Por mais grave que tenha sido o temporal de terça-feira – e foi dos piores da história do Estado –é inadmissível que se chegue à véspera de completar uma semana com pessoas ainda sem energia elétrica. Em eventos climáticos de grandes proporções é preciso ter a compreensão de que não há como resolver todos os problemas da noite para o dia. É preciso ter algum grau de tolerância, mas não há explicação para mais de cem horas sem energia elétrica, como ocorreu com clientes da CEEE Equatorial e da RGE.
Esse temporal deve servir para que as empresas redimensionem suas equipes ou tenham na manga um plano de contratação emergencial de prestadores de serviços. Não qualquer um, mas eletricistas que entendam do negócio e conheçam a área de atuação das concessionárias. Que se aprenda a lição de 16 de janeiro para enfrentar os vendavais futuros, que tendem a ser recorrentes.
Ainda não é possível contabilizar os prejuízos causados pela falta de energia. Cada família sabe o que perdeu. Cada paciente que precisa da geladeira para armazenar medicamentos ou da luz para funcionar um respirador sabe o que sofreu. As empresas maiores ainda fazem cálculos do que deixaram de faturar. As pequenas, sobretudo os bares e restaurantes, sabem da matéria-prima que foi para o lixo e dos clientes que não conseguiram atender ou não apareceram – por falta de luz, ou de água ou dos dois.
Há um setor, no entanto, em que os prejuízos não se medem em dinheiro. É o das clínicas geriátricas. Dos parentes dos internos e dos gerentes dessas instituições de longa permanência se ouviram as histórias mais chocantes. Porque não é um público qualquer. São velhinhos e velhinhas que dependem de cuidados intensivos e que ficaram esses dias sem poder tomar banho.
É importante que as autoridades cobrem celeridade das concessionárias, mas não se pode aceitar a politização vista nos últimos dias. As agências reguladores (Agergs e Aneel) têm de ser mais eficazes, para que empresas prestadoras de serviços públicos não negligenciem suas tarefas em favor do lucro. Mas ameaçar com a cassação de concessão, como fez o secretário nacional do Consumidor, Wadih Damous, é demagogia. Quem pode cassar a concessão é a Aneel, se a empresa deixar de cumprir suas obrigações, e isso como penalidade máxima. Antes vem a advertência, as multas (que estão sendo aplicadas) e a intervenção. Quem vende ilusões está ludibriando o consumidor.
"Liga para o secretário"
Depois de quase cem horas sem luz, morador de um condomínio do bairro Petrópolis conseguiu o celular pessoal do prefeito Sebastião Melo e mandou mensagem implorando por uma solução.
Melo não teve dúvida: deu o telefone do secretário de Urbanismo, Marcos Felipi Garcia. Em mensagem de áudio, expressou solidariedade ao rapaz e sentou o sarrafo na CEEE Equatorial. Disse que a responsabilidade pela retirada das árvores é compartilhada entre prefeitura e empresa, mas a Equatorial não avisa onde tem problemas para que as equipes da prefeitura possam remover os galhos.
O secretário de Urbanismo mandou áudio para o morador do condomínio de Petrópolis dizendo que tinha recebido a demanda feita ao prefeito e que faria contato com a CEEE Equatorial. Coincidência ou não, o problema foi resolvido na noite de sábado, horas depois da conversa do morador com o prefeito.



