
O lançamento da terceira edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), nesta sexta-feira (11), no Rio de Janeiro, será grandioso como o nascimento dos seus antecessores. O primogênito, em janeiro de 2007, no início do segundo governo do presidente Lula, nasceu com a pretensão de gerar empregos por meio da construção de obras públicas e, assim, acelerar o crescimento. Lula nomeou a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, coordenadora do programa mais ambicioso de seu governo. E a chamou de “mãe do PAC”, apelido que sinalizava a intenção de fazer dela sua sucessora.
Antes de concluir todas as obras iniciadas no PAC 1, Lula lançou em março do ano eleitoral de 2010 o PAC 2, um ambicioso programa de construção de creches e quadras esportivas. Até hoje há obras não concluídas desses dois programas, seja porque a fonte de recursos secou, seja porque os governos seguintes ao de Dilma (Michel Temer pelo impeachment e Jair Bolsonaro pela eleição) as interromperam, seja porque a operação Lava-Jato implodiu os esquemas de corrupção das empreiteiras e provocou uma quebradeira geral.
Desta vez, o foco de Lula é a logística, como forma de destravar o crescimento, gerar empregos e aumentar a arrecadação. O primeiro grande desafio do programa é o da credibilidade. Quem acreditará que não serão abertos novos canteiros de obras que jamais serão concluídas? Na semana passada, quando esteve no Rio Grande do Sul para a primeira visita como vice-presidente, Geraldo Alckmin garantiu que uma das preocupações é concluir obras já iniciadas. E avisou que nem todas serão executadas com recursos públicos, até porque a situação fiscal não permite. Parte das obras será feita por meio de parcerias público-privadas.
Ressalvando que não queria dar spoiler, o ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, semeou pistas das obras que terão prioridade no Rio Grande do Sul. Entre elas, estão projetos aprovados no governo Lula, outros iniciados na gestão de Dilma e novos que conversam com a promessa de retomada dos investimentos públicos, que encolheram nos últimos anos.
O pacote para o Rio Grande do Sul deve incluir a conclusão da duplicação da BR-116 Sul, a solução do gargalo no Vale do Sinos, a duplicação da BR-290 (entre Eldorado do Sul e Pantano Grande), construção de terceiras faixas até Uruguaiana, investimento pesado em hidrovias e um programa robusto de construção de moradias populares. Vai ficar pronto até 2026? Só se o governo não der passo maior do que a perna.

