
Sem a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, o governo do presidente Jair Bolsonaro anunciou um pacote de medidas que poderiam acalmar os ânimos dos empresários que pregam a volta às atividades a qualquer custo, não fosse o sinal contrário que vem do próprio Palácio do Planalto. No mesmo dia em que Bolsonaro anunciou o esperado socorro emergencial, a Secretaria de Comunicação divulgou um vídeo reforçando a mensagem de que “o Brasil não pode parar”.
O tom é o mesmo da campanha lançada em 26 de fevereiro pelos empresários de Milão e endossada pelo prefeito Giuseppe Sala, que agora se arrepende amargamente do que fez. “Milão não para”, dizia o slogan. Um mês depois, a Itália inteira está parada e, na sexta-feira (27), bateu novo recorde de mortes em 24 horas: 969. Desde fevereiro, são 9.134 mortos, a maioria na região da Lombardia.
Coube aos presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e do BNDES, Gustavo Montezano, anunciar o pacote de R$ 40 bilhões para socorrer empresas e trabalhadores nos próximos dois meses. É o reconhecimento da área econômica de que abril e maio serão meses críticos, como já alertou o ministro da Saúde, Henrique Mandetta.
O que está fora se sintonia é o aval do Planalto à pressão pela retomada da atividade econômica, que significa dar fim ao isolamento recomendado pelas autoridades sanitárias antes que se tenha conseguido achatar a curva dos casos de contaminação de coronavírus.
Ainda que sejam tímidas, as medidas de proteção social anunciadas pelo governo trazem alguma tranquilidade aos milhões de brasileiros que ficarão sem renda enquanto durar o isolamento e às pequenas e médias empresas que não têm como bancada a folha de pagamentos.
O empréstimo subsidiado para pagamento dos salários até o limite de dois mínimos está condicionado ao compromisso de não demitir. Para evitar que seja desviado para outras finalidades, o dinheiro cairá diretamente na conta do trabalhador. Ponto para quem teve a ideia.
O Brasil não tem dinheiro para despejar na economia como os Estados Unidos estão fazendo, mas terá de deixar de lado o desejado ajuste fiscal para socorrer os desassistidos nesse período de calamidade. Passado o período de emergência, o mundo terá se reinventar. Agora, a prioridade é salvar vidas e evitar o colapso no sistema de saúde.






