O que começou como uma simples investigação sobre lavagem de dinheiro e ganhou o nome de Lava-Jato completa três anos nesta sexta-feira como a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. Nunca antes se identificaram tantos desvios de recursos públicos nem se conseguiu recuperar somas tão expressivas.
Integrante da força-tarefa da Lava-Jato, o procurador Antônio Carlos Welter, que teve de se mudar de mala e cuia para Curitiba, lembrou nesta quinta-feira no programa Gaúcha Atualidade que a operação rastreou desvios de R$ 38 bilhões e recuperou pelo menos R$ 6,2 bilhões. É tanto dinheiro, que um assalariado tem dificuldade para estabelecer relações de grandeza. Para efeito de comparação, R$ 38 bilhões é quase 60 vezes o valor da obra da nova (e inconclusa) ponte do Guaíba. É dinheiro suficiente para resolver todos os grandes gargalos de infraestrutura do Rio Grande do Sul.
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Só quem não gosta da Lava-Jato são os que perdem com ela: políticos e empresários corruptos, operadores desses dois grupos que se beneficiaram indiretamente com a roubalheira, e marqueteiros que fizeram campanhas bilionárias pagas com dinheiro de caixa 2. As críticas vêm também de militantes para quem os fins justificam os meios e apoiam o vale-tudo pela conquista do poder. A maioria dos brasileiros só tem a agradecer ao Ministério Público, à Receita, à Polícia Federal e ao Judiciário pela devassa.
Ainda que tenha provocado um terremoto no setor de obras públicas, a Lava-Jato não pode ser acusada pela falência de empreiteiras que cresceram à sombra dos esquemas de superfaturamento. Há um preço que o país precisa pagar para banir práticas que direcionam para contas privadas, de forma ilícita, recursos públicos que faltam na saúde, na educação e na infraestrutura.
Em três anos e 38 fases, a operação desmontou um esquema que drenou bilhões de reais da Petrobras e chegou a ameaçar o futuro da empresa. Implodiu um modelo de financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro do superfaturamento de contratos, inaugurado no século passado e que vinha de pai para filho, como confessou o empresário Emílio Odebrecht, em depoimento como testemunha de defesa do filho Marcelo, que está preso em Curitiba. Identificou o pagamento de propina para pagar por enxertos em medidas provisórias ou por projetos que beneficiavam este ou aquele setor. Localizou contas na Suíça que os donos julgavam protegidas pelo sigilo bancário e usavam para depositar dinheiro sujo. Mostrou que, assim como o dinheiro não tem cor, a corrupção não depende de ideologia. É multipartidária e floresce no centro, na esquerda e na direita.
Pela primeira vez, foram capturados os corruptores, essas figuras sinistras que sempre escapavam ilesas, como se a corrupção nascesse de geração espontânea. Capitães das maiores empreiteiras estão na cadeia ou em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica ou aguardando julgamento.




