
Começa oficialmente nesta sexta-feira (14) o Festival de Gramado. Em sua 54ª edição, o mais prestigiado festival de cinema do país vai exibir 54 filmes, homenagear artistas como Selton Mello, Maria Fernanda Cândido e Marcos Caruso, promover ações formativas para estudantes e organizar encontros do mercado audiovisual. Mas a semana não foi só de boas-novas para o cinema brasileiro: na segunda, um comunicado oficial anunciou o cancelamento do Festival de Brasília deste ano por conta de problemas relacionados a “repasses financeiros”. A notícia consternou e indignou o meio cultural: ao lado do certame gaúcho, Brasília é a principal vitrine do cinema nacional, palco de debates e trocas artísticas e histórico polo de resistência cultural à ditadura. Menos de 24 horas depois do anúncio, porém, o governo do Distrito Federal voltou atrás da decisão diante da enxurrada de protestos na imprensa e nas redes sociais, assegurando a realização da 59ª versão do festival, prevista para setembro.
Se por enquanto comemora-se um final feliz, a iminência da suspensão instalou um clima de fita de terror na cultura brasileira durante quase um dia inteiro. Brasília e Gramado são atores centrais no elenco do audiovisual nacional, responsáveis com outros fatores e circunstâncias pela recepção cada vez mais positiva aos nossos filmes e séries, astros e estrelas – tanto pelo público local quanto pelas plateias estrangeiras, por festivais como Cannes, Veneza e Berlim e premiações disputadas tipo Oscar e Globo de Ouro.
Não precisa ser nenhum bidu para perceber que a arte e a cultura são caminhos potentes no fortalecimento de conexões, entendimentos e empatias entre povos. Foram os estadunidenses – sempre eles – que sistematizaram o conceito de "soft power", no qual o "poder suave" dos produtos culturais pode abrir corações, mentes e portas comerciais de sociedades e países. A Coreia do Sul faz isso com uma baita competência desde o começo dos anos 1990 – antes disso, quem já tinha ouvido falar de K-pop ou visto um seriado coreano?
Além de produzir riqueza simbólica e fortalecer identidades, a arte e a cultura são ativos relevantes para o turismo, as relações internacionais e as finanças – a economia criativa no país movimentou cerca de R$ 393,3 bilhões em 2023, representando 3,59% do PIB. Ao contrário das bets, a aposta no cinema brasileiro tem retorno garantido.





