
A torcida pelo Brasil no Oscar mobilizou até os cinéfilos mais céticos. Estávamos na disputa em cinco categorias – quatro só por O Agente Secreto, além da indicação de Adolpho Veloso pela direção de fotografia exuberante de Sonhos de Trem. Não rolou. As cobiçadas estatuetas foram parar em outras mãos, ainda que qualquer uma delas pudesse ser entregue a brasileiros – até mesmo as cinco, o que seria inusitado, por certo, jamais injusto.
Obviamente o cinema brasileiro não saiu de Hollywood “derrotado”. Não bisamos o feito da edição passada do prêmio, quando Ainda Estou Aqui (2024) foi escolhido o melhor filme internacional, mas O Agente Secreto fez barulho nos Estados Unidos e repercutiu positivamente na imprensa e nos meios cinematográficos, ampliando a visibilidade alcançada pelo longa de Walter Salles em 2025. Não apenas as figuras e os depoimentos do diretor Kleber Mendonça Filho e do ator Wagner Moura tiveram grande repercussão, mas o próprio filme rodado em Recife foi generosamente elogiado pela mídia gringa.
Nunca curti muito o espírito competitivo nas artes. Acho que “ganhar” ou “perder” são circunstâncias que reduzem a complexidade do trabalho artístico, produto de sensibilidade, inteligência e subjetividade – estranho portanto a métricas precisas que determinem sua qualidade. Entretanto, esse ânimo esportivo de buscar o “melhor” é compreensível e contagia qualquer área que nos permite estabelecer hierarquias, inclusive no inefável mundo da criação – o maior disco de jazz, o mais influente romance, o melhor filme.
Os prêmios abonam o talento e o trabalho de quem os recebe. No mundo artístico, porém, possuir ou não um troféu é mais circunstância do que atestado de valor incontestável. No domingo, Sean Penn não compareceu à cerimônia para receber seu terceiro Oscar, ganho pela atuação memorável em Uma Batalha Após a Outra. Preferiu estar na Ucrânia, onde já foi várias vezes prestar apoio ao país – inclusive chegou a entregar uma de suas estatuetas para o presidente Zelensky como reconhecimento pela resistência ucraniana à invasão russa. Depois de ganhar o Oscar pelo desempenho em Pecadores, categoria em que Moura também estava indicado, Michael B. Jordan foi comer um hambúrguer podrão em uma lancheria ao lado do teatro, levando consigo o troféu dourado.
Nunca se deve esquecer que toda glória é fugaz e, como lembra o provérbio latino, “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. O resto é pirraça.





