
Se tem coisa que me incomoda é montar listas. Não lido bem com a ideia de hierarquizar as coisas, destacando algumas e deixando outras de fora – um ranking arbitrário e inevitavelmente injusto quando se trata de arte e cultura. Quer me ver angustiado? É só me pedir para citar “os 10 melhores filmes de todos os tempos”, “os 5 maiores discos da música brasileira”, “os 3 livros que você levaria para uma ilha deserta”. (Essa da “ilha deserta” me deixa particularmente pistola por conta da tolice da proposição.)
Claro que não ignoro o apelo das listas, irresistível para muitos: conheço gente que adora colocar tudo em uma escala de preferência, tenho amigos que apontam por ordem decrescente as melhores canções de Guilherme Arantes ou elencam as atuações mais canastronas do veloz e furioso Vin Diesel. Isso é excruciante para mim: se sou obrigado a fazer uma lista de 10 melhores, lá pelo terceiro eu já questiono a posição do primeiro e quero mudar tudo. Porque na verdade essas predileções subjetivas são impermanentes e não necessariamente excludentes. Gosto tanto disso quanto daquilo, como optar por um e preterir o outro?
As listas fascinam pelo condão – ainda que ilusório – de colocar ordem no mundo. Reconheço que elas podem ajudar a acomodar conhecimentos e sentimentos, tornando mais claros para nós mesmos conjuntos de informações e afetos meio bagunçados no nosso espírito. No delicioso romance Alta Fidelidade (1995), do escritor inglês Nick Hornby, o protagonista usa as listas para ajudá-lo a arrumar sua vida amorosa caótica. Já no livro A Vertigem das Listas (2009), o teórico italiano Umberto Eco investiga a obsessão desde a Antiguidade por inventários e enumerações na literatura e na arte. Em 2017, a Companhia das Letras editou O Livro das Listas, um belo e curioso volume que compila as mais variadas listagens musicais, culturais e sentimentais que Renato Russo bolou durante a vida, ilustrado por reproduções fac-similares dos manuscritos do artista.
Listas, pra que te quero? Vou então arriscar o ranking das cinco coisas que mais detesto:
- Burrice
- Extrema direita
- Sertanejo
- Mocotó
- Listas




