
O Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, vem mapeando aspectos do consumo de cultura dos brasileiros. A primeira pesquisa Hábitos Culturais, destacando as mudanças provocadas pela pandemia, foi publicada em setembro de 2020. A sexta edição, divulgada há pouco, ouviu 2.432 brasileiros de 16 e 65 anos. A radiografia, infelizmente, não detalha os valiosos dados coletados por Estado ou mesmo região – a pesquisa informa apenas que 14% das entrevistas foram feitas no Sul. Se carece de informações regionalizadas, o trabalho compensa pela abundância de dados e pela diversidade de perfis entre os consultados.
Emerge da pesquisa um par de tendências que têm crescido juntas – e talvez se impulsionem mutuamente, a despeito de suas singularidades – desde o isolamento forçado a que fomos submetidos há cinco anos: o aumento do engajamento em atividades culturais na modalidade remota e a queda na participação em eventos presenciais. Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados argumentam que a questão financeira é o principal motivo para não participarem de atividades do gênero, enquanto 31% apontam a insegurança e a violência como principal barreira para curtir eventos culturais. Essas porcentagens são mais altas nas grandes cidades.
As atividades que lideraram o consumo cultural presencial nos últimos 12 meses foram eventos ao ar livre (61%), shows de música (45%), festas folclóricas, populares e típicas (42%), cinema (37%) e atividades infantis (35%). Já as experiências digitais, que entraram inescapavelmente nas nossas vidas com a Covid-19, dominam cada vez mais o consumo cultural: 90% dos consultados disseram que realizaram atividades virtuais no último ano – tendo a música online liderado com 85% das menções, seguida por streaming de filmes (74%), séries (70%) e podcasts (54%).
Costumo ressaltar aqui a qualidade única do “ao vivo”, da ocupação dos espaços públicos, das trocas coletivas, da cultura cidadã compartilhada. É preciso minimizar os obstáculos que nos afastam de curtirmos a cultura da maneira que ela é sempre melhor desfrutada: como experiência que pede presença.






