
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, parece estar encarando seu primeiro grande desafio desde que assumiu o cargo, em julho de 2026. Líderes da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte assinaram, nesta segunda-feira (14), um documento exigindo que o governo do Reino Unido viabilize a realização de referendos locais de independência para seus países, afirmando que o futuro de suas nações passa pelo retorno à União Europeia.
Os três países britânicos são subordinados a Londres e citam, como justificativa, o "direito à autodeterminação" de suas nações e populações.
O movimento separatista é encabeçado por John Swinney, primeiro-ministro da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês (SNP); Rhun ap Iorwerth, primeiro-ministro do País de Gales e líder do partido Plaid Cymru; Mary Lou McDonald, presidente do partido separatista irlandês Sinn Féin (que atua tanto na República da Irlanda quanto na Irlanda do Norte); e Michelle O'Neill, primeira-ministra da Irlanda do Norte e líder do Sinn Féin na região.
“Pela primeira vez na história, os habitantes destas ilhas têm primeiros-ministros na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte que estão todos comprometidos com a independência do Reino Unido. Para quem acompanha a situação nestas ilhas — e em todo o mundo —, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim”, diz a declaração conjunta assinada nesta segunda-feira (14) em Cardiff, capital de Gales.
Entre as justificativas, o documento alega que os países rejeitam o modelo econômico do governo britânico e querem construir “economias que promovam a justiça social e reduzam a desigualdade”. Também citam o objetivo de expandir os próprios recursos energéticos e reafirmam o entendimento de que os três países deveriam integrar a União Europeia.
O movimento ocorre em meio a uma guinada de partidos separatistas nas três nações. No País de Gales, o Plaid Cymru se tornou o maior partido do Parlamento nas eleições de maio, com Rhun ap Iorwerth assumindo o cargo de primeiro-ministro. Na Escócia, o SNP segue como a força dominante. Já na Irlanda do Norte, a sigla Sinn Féin governa desde 2024 sob a liderança de Michelle O'Neill.
Burnham disse, em agosto, que novos referendos de independência da Irlanda do Norte e da Escócia estavam "fora de cogitação".



