
Há consenso entre os principais candidatos ao governo do Estado sobre um ativo importante do Rio Grande do Sul: universidades de excelência, instituições de pesquisa e um ecossistema de inovação consolidado, formado por parques tecnológicos, incubadoras, startups e empresas.
O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento. Ainda existe um descompasso entre o conhecimento produzido nos campi e sua aplicação no setor produtivo e na administração pública.
Nos programas de governo dos postulantes ao Piratini, essa preocupação aparece de diferentes maneiras, mas com um ponto de convergência: a necessidade de aproximar universidades, centros de pesquisa e tecnologia, empresas e poder público, criando condições para que conhecimento e inovação se traduzam em novos produtos, negócios, investimentos e soluções para o Estado.
A coluna analisou os programas de governo e reúne a seguir as principais propostas dos quatro candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional, apresentados segundo ordem de colocação na mais recente pesquisa Quaest.
Luciano Zucco (PL)

Consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025-2030 como referência.
Preservar o financiamento da pesquisa científica.
Fortalecer a Fapergs e direcionar o fomento à pesquisa e à inovação para áreas de desenvolvimento, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e setor produtivo.
Fortalecer projetos cooperativos, núcleos de inovação tecnológica, provas de conceito, propriedade intelectual e licenciamento.
Ampliar programas de inserção de mestres e doutores em universidades, empresas, cooperativas, hospitais e centros tecnológicos, com contrapartidas.
Expandir iniciação científica e tecnológica, bolsas, feiras, olimpíadas e aproximação de estudantes com universidades e laboratórios.
Aperfeiçoar o Inova RS e apoiar parques, incubadoras e ambientes regionais mediante metas de projetos, empresas, contratos, capital mobilizado e empregos qualificados, priorizando cooperação entre municípios e instituições antes da criação de novas estruturas.
Apoiar empresas inovadoras desde a validação tecnológica até a comercialização, conectando-as a grandes empresas, cooperativas, investidores, universidades, exportadores e órgãos públicos.
Instituir sandboxes e fluxos experimentais apenas nas áreas de competência estadual.
Articular Fapergs, Banrisul, BRDE, Badesul e investidores privados para combinar bolsas, subvenção, crédito, garantias e coinvestimento.
Juliana Brizola (PDT)

Fortalecer a pesquisa científica e tecnológica voltada aos grandes desafios econômicos, sociais e ambientais.
Ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.
Apoiar startups e empresas inovadoras e promover a "soberania digital" da administração estadual, com segurança, proteção de dados e maior domínio sobre as tecnologias estratégicas utilizadas pelo Estado
Assegurar recursos da Fapergs.
Apoiar startups e GovTechs.
Expandir ambientes comunitários de inovação e inclusão digital nas periferias.
Promover políticas de atração e permanência de jovens pesquisadores no Estado.
Fomentar pesquisas e soluções em inteligência artificial, tecnologias assistivas e outras áreas estratégicas, voltadas aos desafios da saúde, do clima, da agricultura e da gestão pública.
Fortalecer soberania e infraestrutura tecnológica, expandindo a Infovia Gaúcha para conectar escolas, unidades de saúde, órgãos de segurança e demais serviços públicos e estimulando a implantação de data centers sustentáveis, abastecidos por energia renovável.
Fortalecer o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e implantar o Programa Gaúcho de Microeletrônica e Semicondutores, articulando Ceitec, universidades, empresas e o ecossistema de inovação às políticas nacionais de reindustrialização, com foco na formação profissional, pesquisa, atração de investimentos e desenvolvimento tecnológico.
Gabriel Souza (MDB)

Fortalecer o ecossistema de inovação, por meio de suporte a ambientes de inovação articulados aos Coredes, universidades e setores produtivos.
Apoiar municípios na criação de legislações e ambientes locais favoráveis à inovação.
Criar Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape) para fortalecer a cooperação entre governo e educação superior.
Ampliar os investimentos em CT&I com foco no adensamento tecnológico das principais cadeias produtivas.
Ampliar o apoio às startups e aos empreendimentos de base tecnológica, incentivando proteção da propriedade intelectual, transferência de tecnologia e facilidade no acesso a financiamento.
Regulamentar e operacionalizar o Sandbox Regulatório no Estado.
Internacionalizar o ecossistema de inovação, fortalecendo o posicionamento do RS como destino de investimentos. Ampliar parcerias internacionais e potencializar eventos, como o South Summit Brazil.
Consolidar o RS como polo estratégico de infraestrutura digital e IA na América Latina.
Fomentar ações e editais voltados a mulheres, pessoas negras e povos originários na ciência e na inovação.
Ampliar o papel da Fapergs no financiamento à inovação . Fortalecer a Uergs.
Marcelo Maranata (PSDB)

Fortalecer conselho estadual de ciência, tecnologia e inovação.
Criar estratégia estadual de especialização inteligente.
Financiar pesquisa orientada a desafios climáticos, saúde, agro e indústria.
Ampliar bolsas e atração de talentos.
Apoiar parques, incubadoras e ambientes de inovação no interior.
Criar programa de transferência tecnológica para pequenas empresas.
Estimular capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento.
Usar encomendas tecnológicas para desafios públicos.
Conectar universidades, empresas e governos em redes temáticas.
Medir patentes, contratos, startups, produtividade e empregos gerados.


