
Escrevo de São Paulo, onde cheguei na segunda-feira (10), e deparei com um Estado em guerra contra o Sarampo. Já são 23 casos da doença.
O metrô da capital paulista, por exemplo, tem postos de vacinação em cinco estações até 28 de agosto. Além de contra o sarampo, contra caxumba e rubéola.
O aumento ocorre em um momento em que o vírus também avança em outros países das Américas. Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentam seu maior surto da doença em 35 anos. A queda da vacinação, impulsionada em parte pelo crescimento do movimento antivacina e da desinformação, permitiu que voltasse a circular com força.
E é justamente agora que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que altera as recomendações federais para a vacinação infantil no país, limitando 11 o número de vacinas recomendadas no calendário infantil. Também recomenda separar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR, na sigla em inglês) em três vacinas diferentes, administradas em consultas médicas separadas.
No Salão Oval, afirmou que crianças de um ano deveriam receber suas vacinas em cinco consultas separadas.
Primeiro, espaçar as vacinas, como propõe Trump, pode aumentar o risco de uma criança contrair uma doença evitável por vacinação antes de retornar ao médico para receber outra dose.
Segundo, o calendário de imunização foi elaborado com base em décadas de evidências científicas.
Terceiro, vacinas individuais contra essas três doenças para crianças não estão disponíveis nos Estados Unidos.
Quando a coluna alerta que governos passam, mas deixam estragos no caminho, este é um exemplo. No ano passado, o governo Trump encerrou um programa de US$ 258 milhões que trabalhava para desenvolver um imunizante para o HIV.
O legado de um governante não se mede apenas por leis aprovadas no Congresso ou decisões geopolíticas. Mede-se também pelas consequências de suas decisões sobre a vida ou a morte das pessoas.




