
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O primeiro debate com os pré-candidatos das eleições de 2026 ao governo do Estado promovido pela Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (6) contou com alguns detalhes que chamaram a atenção da coluna. Algumas frases preparadas para gerar impacto apareceram. Também houve embates, ironias e pequenos momentos de discussões entre os postulantes ao Piratini.
A coluna detalha algumas "cutucadas" abaixo.
Logo no primeiro bloco, o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB) e o vice-governador Gabriel Souza (MDB) comentaram sobre o tema mudanças climáticas. Aproveitando o fato ter estado à frente do Executivo no momento em que a cidade foi fortemente impactada pela enchente de maio de 2024, Maranata reivindicou a postura de alguém com experiência no assunto:
O que disseram os colunistas sobre o debate
— Diferente dos meus adversários, sou o único que teve a experiência de ser prefeito e que viveu a tragédia — disse.
Em outra oportunidade, ele também se utilizou do fato de ter atuado no Executivo para tecer críticas a Juliana Brizola (PDT):
— Juliana, tu falas com a experiência de deputada. Eu falo com a experiência de prefeito. As pessoas batem na minha porta, nunca bateram na tua porta.
A falta de pautas e de aprofundamento nos assuntos, como tratado pela coluna, também foi citada por Gabriel, que "cutucou" os adversários:
— Ouvi os dois que nos antecederam, vi muita crítica, ouvi muito ataque, mas não ouvi propostas. Ouvi cartas de intenções que até o ChatGPT faria — disse Gabriel.
Em diversos momentos houve críticas à atual gestão do governador Eduardo Leite (PSD). Maranata disse, em determinado momento, que o Estado era um "avião sem motor":
— O Estado teve uma oportunidade gigante, porque o Estado é um avião que não tem motor, recebeu um vento e o avião decolou lá na pandemia com o dinheiro do (Jair) Bolsonaro. Depois recebeu outro vento e decolou com o dinheiro da enchente — afirmou o ex-prefeito de Guaíba.
Luciano Zucco (PL), por sua vez, afirmou que a campanha de Gabriel era uma continuidade do governo Leite:
— (É) o projeto do continuísmo, um projeto que teve oportunidade, que teve recurso, que teve tempo, oito anos, mas não fez.
Nas considerações finais, Gabriel tentou se mostrar diferente da atual gestão do atual governador e como uma alternativa de futuro:
— Precisamos avançar de um jeito seguro, um novo jeito de seguir em frente. Nós não queremos fazer a terceira edição do atual governo do governador Eduardo. Queremos fazer a primeira edição do governo Gabriel Souza e Ernani Polo.
Houve pouca nacionalização do debate: Gabriel lembrou que a coligação de Juliana, que tem como pré-candidato a vice Edegar Pretto (PT), representa o presidente Lula:
— Nessa eleição tu não és PT, mas és sabor PT, né, Juliana?
Zucco também criticou Juliana pela sua coligação:
— O entendimento dos projetos que estão se apresentando aqui: o projeto do atraso, o projeto do PT, da esquerda, do aumento de imposto, da máquina inchada.
Nas considerações finais, Juliana utilizou o momento para criticar os adversários:
— A gente tem a candidatura do Maranata, que está meio "figurando". A gente tem a candidatura do Zucco, que representa a taxação do (Donald) Trump, e aqui o Rio Grande do Sul foi o Estado mais prejudicado com isso, e eu acho isso um temor, alguém que vai para fora do Brasil pedir para que o nosso país seja taxado. E a candidatura de quem está desesperado, porque não consegue subir nas pesquisas — referindo-se, em último, a Gabriel.
Além das frases, houve embates curiosos. A certa altura, Gabriel questionou seus adversários sobre a quais ações do governo — na avaliação dele, boas — o pré-candidato daria continuidade:
— Tu vais manter o Devolve ICMS ou não vais?
— Eu vou manter tudo aquilo que é bom. Se está dando certo... — respondeu Juliana,
— O que é bom? — questionou Gabriel.
— O RS Seguro é bom, mas precisa melhorar... Tem muita coisa boa que pode continuar.
— E o Desenvolve RS? E o Todo Jovem na Escola? — citando outros projetos.
Juliana se incomodou com a insistência:
— Olha só, você não vai ficar me interrogando assim. Aqui é um debate.
— Estou debatendo contigo.
— Então eu quero saber contigo o que você vai fazer com esse déficit de R$ 4,8 bi, porque tu és assim, Gabriel, só tu sabes. Só tu sabes, só tu tens projeto. Sabe, meio chato isso, entendeu? Tu te achas, né? Desculpa.
Pouco tempo depois, Gabriel ironizou:
— Agora... Não entendi: vai manter o SUS Gaúcho, vai manter o Todo Jovem na Escola, vai manter o Devolve ICMS, vai manter o RS Seguro... Afinal, então tu vais votar em mim?
Outro momento de troca de farpas ocorreu entre Gabriel e Maranata. Ao citar a falta de profundidade nos assuntos, Gabriel disse:
— A gente está aqui no debate para apresentar propostas, não para ficar enrolando o eleitor, falando frases prontas que o marqueteiro ensinou, sem apresentar propostas de fato. Onde é que nós vamos, como nós faremos?
Maranata retrucou:
— Tu estás falando da Juliana e do Zucco?
Gabriel respondeu:
— Isso é tu que estás dizendo.













