
A depender do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tudo é possível. A declaração do início da manhã desta quarta-feira (8) em relação à retomada dos bombardeios ao Irã era a seguinte: "Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite".
E por que tudo é possível? Porque, logo após a reunião de cúpula da Otan, na Turquia, no início da tarde, ele afirmou:
— Acho que não vai começar uma nova guerra, acho que vai acabar rapidamente. Eles atingiram alguns navios, nós atingimos com muito mais força, 10 vezes mais forte. Eu acho que não vai durar muito tempo. Qualquer coisa que aconteça, vai acabar rapidamente e nós vamos tornar a região mais segura, inclusive para o petróleo. Não estamos pensando em nada de longo prazo.
Basicamente, a ideia de Trump se resume a: "vou atacar, mas não quero". E, se atacar, não irá durar muito tempo.
Essa contradição de Trump leva a desconfiar de sua capacidade cognitiva. Volta e meia, ele foge de explicações, é incoerente e apresenta falas desconexas.
A guerra foi um sucesso?
Trump voltou a afirmar que "a guerra no Irã foi um sucesso" e voltou a dizer que o país persa nunca terá armas nucleares:
— Eles nunca vão ter uma arma nuclear. Fui para lá com uma única razão: eles não poderiam ter uma arma nuclear. O Irã nunca terá uma arma nuclear. O que eles tinham de seu programa nuclear está debaixo das ruínas.
Aqui, dois pontos chamam a atenção: o primeiro é a afirmação de Trump de que foi para a guerra para evitar que os persas tivessem arma nuclear. Até hoje, não se sabe, exatamente, os motivos dos americanos de iniciarem a guerra, se era realmente para conter o avanço do desenvolvimento nuclear do país, decapitar os líderes do regime ou desmilitarizar os iranianos.
O outro ponto é que não se sabe se realmente os EUA conseguiram parar o avanço nuclear iraniano. Aliás, esta não é a primeira vez que Trump faz uma declaração similar. Após a Guerra dos 12 Dias, em julho do ano passado, o presidente americano afirmou que os EUA haviam "obliterado" o sistema nuclear dos aiatolás — algo que, diante do cenário da guerra deste ano, não se confirmou.
Em outro momento, ele chamou os iranianos de "lunáticos":
— Nós não queremos lunáticos no controle de armas nucleares.





