
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após 16 anos de governo de Viktor Orbán, os primeiros dias do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, já mostram uma mudança brusca na condução do país. A televisão estatal da Hungria suspendeu temporariamente sua transmissão de notícias ao longo da última semana para implementar uma reformulação que promete torná-la "independente e confiável".
Diante de uma tela preta, o principal canal de TV estatal, o M1, passou a exibir na terça-feira (7) o seguinte anúncio:
"A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos."
Magyar apresentou a medida como "o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas".
"É um dia histórico. O dia de hoje marca o fim das transmissões de propaganda nas plataformas da mídia pública. [...] Eles mentiam à noite, mentiam durante o dia, mentiam em todas as frequências. Isso acabou agora", escreveu o novo primeiro-ministro no Facebook.
Desde que assumiu o poder, em 9 de maio, o primeiro-ministro lançou uma série de iniciativas para erradicar o que chama de "máfia" de Orbán infiltrada no Estado húngaro.
O partido de Orbán, o Fidesz, denunciou as medidas de Magyar, afirmando que a reestruturação da mídia se trata de uma tentativa de estabelecer um "comando autocrático" — uma acusação que, ironicamente, costumava ser dirigida ao próprio ex-primeiro-ministro nacionalista.
Além da suspensão das transmissões, há relatos de demissões em massa nas emissoras estatais de TV e rádio após a chegada de uma nova gestão interina.






