
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, dispute a eleição para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi divulgada pelo jornal New York Post nesta terça-feira (21).
De acordo com uma fonte próxima ao presidente americano ouvida pelo jornal, Trump afirmou que Infantino “é respeitado por todos ao redor do mundo e possui uma habilidade especial para unir as pessoas”.
Segundo o Post, não está claro se Infantino tem interesse em concorrer ao cargo nem se Trump já conversou diretamente com ele sobre essa possibilidade. Além disso, sabe-se que o dirigente pretende disputar a reeleição na Fifa em 2027.
Entretanto, dois possíveis impasses cercam essa eventual candidatura.
O primeiro é o aspecto político: o movimento poderia ser visto como uma tentativa de aproximar a Casa Branca da ONU, já que o republicano criticou as ações da entidade repetidas vezes. A articulação corre o risco de ser interpretada por diplomatas como mais uma interferência de Trump na soberania multilateral.
Vale lembrar que a relação entre Infantino e Trump se fortaleceu durante a organização da Copa do Mundo de 2026. Em dezembro, a entidade concedeu ao presidente americano um "prêmio da paz" — honraria vista nos bastidores como um consolo após Trump não vencer o Nobel da Paz de 2025.
Além disso, para garantir o comando da ONU, ele precisaria obter o apoio do Conselho de Segurança — composto por 15 membros, onde os cinco membros permanentes têm poder de veto — seguido da confirmação pela Assembleia Geral.
Outro empecilho é a falta de credenciais na área diplomática. Giovanni "Gianni" Vincenzo Infantino é um advogado e dirigente desportivo suíço-italiano. Ele preside a Fifa desde 2016 e, antes disso, foi secretário-geral da Uefa (2009-2016).
Ele não possui a mesma trajetória internacional que os demais nomes cotados para a sucessão de António Guterres. Atualmente, entre os principais candidatos estão:
- Rafael Grossi: diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O argentino atua na promoção de tecnologias nucleares para a saúde e a agricultura e, de forma crucial, na fiscalização do regime de não proliferação de armas nucleares. Grossi tem papel relevante em crises internacionais recentes, tendo atuado para evitar acidentes na Usina de Zaporizhzhia (Ucrânia) e conduzido negociações complexas com o Irã.
- Michelle Bachelet: apoiada pelo Brasil, foi presidente do Chile por dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018). Entre 2010 e 2013, tornou-se a primeira diretora da ONU Mulheres. Mais tarde, de 2018 a 2022, chefiou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).
- Rebeca Grynspan: economista e diplomata da Costa Rica, é a atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e já atuou como vice-presidente da Costa Rica e secretária-geral ibero-americana.
- Macky Sall: presidente do Senegal por 12 anos, destaca a experiência como chefe de Estado como sua principal credencial. O geólogo concluiu grandes projetos de infraestrutura durante seu governo e é um atuante defensor do desenvolvimento do continente africano.
- Maria Fernanda Espinosa: foi ministra das Relações Exteriores e da Defesa do Equador durante o governo de Rafael Correa. Indicada por Antígua e Barbuda em 12 de maio, a ensaísta e poeta também assessorou a ONU e ONGs em biodiversidade, mudanças climáticas, políticas indígenas e desenvolvimento sustentável.



