
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O ex-prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, foi confirmado nesta sexta-feira (17) como o novo líder do Partido Trabalhista britânico. Com isso, Burnham está a um passo de se tornar o primeiro-ministro do Reino Unido, o que deve se confirmar na próxima segunda-feira (20), quando ele se tornará o sétimo chefe de governo britânico em uma década.
Único candidato na disputa, ele sucederá o atual premiê Keir Starmer, que renunciou ao cargo há quase um mês após enfrentar intensa instabilidade política e pressão interna.
Vale lembrar que o Reino Unido não elege o seu primeiro-ministro diretamente. O chefe de governo é escolhido pelos parlamentares do partido majoritário na Câmara dos Comuns — posto ocupado hoje pelos trabalhistas — e o cargo, por convenção, cabe ao líder da sigla.
Trajetória
A consolidação de Burnham como nome de consenso ocorreu após seu retorno ao Parlamento em junho de 2026, quando renunciou à prefeitura para vencer uma eleição especial (by-election) pelo distrito de Makerfield.
Essa, porém, está longe de ser a sua primeira passagem pelo centro do poder em Londres. Entre 2001 e 2017, Burnham foi parlamentar e integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando os ministérios da Saúde e da Cultura. Na época, chegou a disputar — e perder — a liderança do Partido Trabalhista por duas vezes. Após as derrotas na bancada nacional, ele retornou à sua região natal para disputar o recém-criado cargo de prefeito de Manchester, em 2017.
Foi justamente a gestão local que o projetou nacionalmente. Ao se posicionar como um contraponto firme às decisões de Westminster e evidenciar a profunda divisão socioeconômica entre o norte e o sul do país, Burnham ganhou o apelido de "Rei do Norte".
O que vem pela frente?
Apontado por analistas como um integrante da ala mais à esquerda do partido, Burnham usou seu discurso de posse para agradecer a Keir Starmer e prometer uma política "menos tóxica". Ele também começou a delinear suas prioridades, sustentando que o modelo britânico é excessivamente centralizado e prometendo um amplo processo de transferência de poder para as autoridades locais como motor de crescimento econômico.
Para tentar reconquistar um eleitorado trabalhista decepcionado, Burnham acenou com propostas de nacionalizações e maior controle público, afirmando a ativistas que deixará de usar "roupas conservadoras" e retornará ao "trabalhismo autêntico" para esvaziar o crescimento da extrema-direita do Partido Reformista.
Apesar do entusiasmo da posse, o futuro premiê herdará os mesmos desafios estruturais que minaram Starmer: uma economia estagnada, altos custos de financiamento público e a crise migratória envolvendo a chegada irregular de botes pelo Canal da Mancha.





